sábado, 28 de novembro de 2009

A volta dos que não foram

Não dá pra deixar passar essa. Na última terça-feira, mataram o poeta e colunista do Por Aí, Ronaldo Franco. Mas, como um clássico zumbi dos filmes de terror (nesse caso, com altas doses de humor negro), Ronaldo retornou à vida. Só com uma pequena diferença: ele não está interessado em devorar cérebros ou outras partes do corpo. Não. Ele quer apenas continuar nos brindando com seu bom humor, sagacidade e textos deliciosamente humanos.
Apesar de este ser um caso típico para discussões sobre a importância de checar a notícia, daqueles que vêm prontos para serem debatidos em sala de aula, não quero tratar de jornalismo aqui. Muita gente já vai fazer isso, tenho certeza. Se o Ronaldo me permite, depois do susto sempre chega a hora de fazer graça. E, para isso, nada melhor do que relembrar alguns casos famosos de “mortos” que, ao invés de choro, nos fazem rir até não poder mais.
Quem não se lembra do episódio “O caso do morto que morreu”, do Chapolin Colorado? A luta dele com o defunto, que, no fim, não era tão defunto assim, é fora de série: “Não adianta fingir, não. Vamos, reaja, anda, reaja”. É, parece que a polícia teve a mesma astúcia demonstrada pelo Vermelhinho e não contava que Ronaldo segue o mesmo lema do herói mexicano: “É preferível morrer do que perder a vida”. Esse poeta só morre se for de amor, hehehe.
Quer mais um exemplo tão absurdo quanto a “morte” do Ronaldo? O que é, então, “Um morto muito louco”? Já viram esse, né? Totalmente Sessão da Tarde. Só que neste filme é o contrário: um bando de idiotas que não percebe que um cara já passou para o outro lado, criando situações incrivelmente engraçadas. As toscas camuflagens são o que há de melhor nesta comédia dos anos 80. Ah, se tivesse Twitter naquela época... Todos saberiam da verdade em sete minutos.
É indispensável lembrar também a saga “A volta dos mortos-vivos” e as paródias do gênero, como “Todo mundo quase morto”. Mesmo com sangue e tripas para todos os lados, o toque de humor dá um surrealismo a essas produções, que torna a morte aceitável e até fascinante. Cara, só de recordar esses clássicos dá vontade de fazer um filme dessa história do Ronaldo. O título? Que tal “Poesias do além” ou algo do tipo? Só que o nosso poetinha vai ter que mudar um pouco o estilo, quem sabe incorporar um Baudelaire ou um Byron, pra ficar mais próximo do tema em questão.





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