terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Aliens malvados e zumbis de TPM

Essa combinação explosiva aí do título foi arquitetada pelo diretor Jake West. Sem puxa-saquismo, o cara pediu pra ser bom e extrapolou. Há muito tempo não ria tanto em filmes do gênero. Politicamente incorreto, tosco, sanguinolento, criativo e com humor negro afiado. Esses são os atributos da filmografia do cidadão. Podem caçar pelas locadoras ou pela internet, sem medo: “Evil Aliens – Um novo contato” e “Doghouse”. Diversão garantida.
O primeiro é de 2005 e mostra a que veio logo na cena inicial. Um casal está fazendo saliência num cemitério. Para quem é familiarizado com filmes de terror, uma péssima idéia. Enquanto a garota está preocupada com os irmãos – uns caipiras fortões – que podem surpreendê-los, quem dá o ar da graça são uns ETs invocados, com fantasias à la Predador, que não guardam nenhuma piedade com os jovens assanhados. Pelo contrário. Os alienígenas se mostram implacáveis e o nível de brutalidade pode assustar os mais sensíveis.
Depois desse prólogo impactante, somos apresentados à trama, inacreditavelmente absurda e, por isso mesmo, hilária. Uma repórter de um programa de televisão sobre extraterrestres está prestes a ser demitida, devido os baixos índices de audiência da atração. A única saída: entrevistar um ET. E lá vai a moça com a sua equipe de filmagem para o interior da Escócia, onde uma mulher – aquela da saliência – diz estar grávida de um alien.
Para garantir a veracidade da reportagem, um especialista no assunto foi junto. E ele é o melhor do filme. Um nerd de carteirinha, ele se enerva com as palhaçadas da trupe televisiva, que ignoram tudo o que é relacionado com ufologia. Não é à toa que ele se emociona quando comprova que existe vida fora da Terra e, inclusive, realiza uma fantasia sexual intergaláctica num ponto crucial da história. No meio disso tudo, a guerra. As cenas de morte, embora com os dois pés no gore, tendem ao pastelão. Fora as referências a clássicos como “Uma noite alucinante” e "O massacre da serra elétrica". Simplesmente sensacional.
Mas o que era bom, ficou melhor quatro anos depois, quando West lançou “Doghouse”. Antes de falar do filme, um aviso às mulheres: ele é misógino até a alma. E como hipocrisia não é meu forte, gargalhei muito, o que me valeu não só olhares de reprovação, como vários beliscões da Ingrid. Mas a dor não chegou nem aos pés do tanto que eu me diverti. O ideal, portanto, é reunir só a rapaziada pra assistir ao filme. De preferência com uma cervejinha gelada para acompanhar, depois do futebol de sábado à tarde.
A história é a seguinte: após o divórcio, homem fica devastado e os seus amigos o levam para passar o fim de semana numa cidadezinha do interior da Inglaterra. Lá, a proporção de mulheres para cada homem é de 4 pra 1. Assim, eles prevêem muita curtição. Só não contavam com um vírus lançado ali, que transformou todas elas em zumbis, dando uma conotação mais realista para a chamada guerra dos sexos.
Sob a ótica masculina, estão lá os estereótipos: a mulher com bobs na cabeça, a noiva, a ex-namorada... Todas furiosas, em estado de eterna TPM, emasculando qualquer tentativa de descontração ou felicidade dos homens. O timing da comédia não cai um segundo sequer e a carnificina também rola solta. E West não está nem aí para a polêmica, a ponto de inventar um controle remoto para as zumbis. É mole? Ao final, uma certeza: caras bonzinhos, daqueles que se abaixam muito para suas companheiras, não têm vez. A idéia é simples: tem que mostrar quem manda na “casa”. Mais do que uma questão sexista, é a própria sobrevivência que está em jogo.
Ainda vou procurar pelos outros quatro filmes de Jake West. Um deles, chamado “Razor Blade Smile”, anterior a “Evil Aliens”, ganhou vários prêmios destinados a produções “B”. Acho que não tenho como me decepcionar. Vou me preparar para mais risadas.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Radar Trash Recomenda: Razorback, 1984



Pode um filme com javali gigante, em que o próprio animal quase não aparece e mata somente em off-screen, ser divertido? A resposta é sim. Razorback é um típico filme B que se aproveita dos desertos da Austrália para fazer um Road-movie-australiano. São filmes que revelaram o talento insano de diretores do país, como Russel Mulcahy e Brian Trenchard-Smith e mais tarde ficaram famosos com os exemplares de luxo da franquia Mad Max, de George Miller. Estava procurando um bom exemplar do cinema das bandas da Oceania para indicar, e lembrei deste clássico, que chegou a passar no SBT como As Garras do Terror.



Mulcahy dirigiu esta pérola obscura pouco antes de ganhar os americanos em Highlander e depois se bandear a fazer bobagens por dinheiro, como Resident Evil 3. E como acontece com películas de animais gigantes assassinos, a história é o que menos importa: Um fazendeiro quer vingar a morte do neto pelo selvagem animal ao mesmo tempo que jornalista desaparece no deserto, levando o marido canadense ao país. Pronto.

Daí por diante, há uma crítica à caçada ilegal de animais, como cangurus e os próprios javalis, para fábricas de alimentos. Além caipiras feios, sujos e malvados... Logos nos minutos iniciais, você tem um choque com o primeiro ataque e depois, aos 20 minutos, com uma morte de um personagem que seria importante também.

O diretor explora a bela paisagem e as luzes do deserto para criar uma bela suposição de imagens e uma fotografia surpreendente. Só esqueça a trilha sonora datada, os diálogos clichês e as atuações péssimas. Apenas se concentre na capacidade do diretor de Highlander de surpreender com poucos recursos e uma câmera nos ombros.




Afinal, transformar a cara de um boneco e um javali comum filmado em ângulos que o tornam gigante e torná-lo uma ameaça real já um mérito e tanto. De resto, apenas paredes quebradas e um rugido ameaçador. Pronto. Bem mais real que qualquer criatura de CGI.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

I've got a feeling

"Chove chuva...”. Essa foi a senha para esquecer de vez o frio, a fome, o cansaço, os pés latejando e a costa em frangalhos de quem ficou por volta de dez horas na fila. Sir Paul McCartney entrou no palco, surpreendeu logo de cara com a mudança de repertório, mandando ver com Magical Mistery Tour, e brincou com a galera, citando Jorge Ben Jor como quem diz: “é hora do show, esqueçam tudo e vamos curtir”.
Pedido feito e atendido prontamente. Afinal, ninguém ali ousaria dizer não ao ídolo. Para aquelas 64 mil pessoas na noite de segunda-feira no Morumbi, McCartney era rei. Entre as músicas, soltava seus gritos e interjeições para, em seguida, ouvir a resposta do público, que repetia tudo. Até imitação de cachorro estava valendo. E nem tinha como ser diferente, todos estavam vivendo em outra dimensão. O momento era mágico: tínhamos um Beatle ali, a poucos metros de nós. Como descrever isso?
E Paul correspondeu a todas as expectativas. Do alto dos seus quase setenta anos, esbanjou vitalidade, simpatia – a plateia estourou em risos quando ele se assustou com um berro de uma fã e o retribuiu na mesma intensidade - e, naturalmente, talento. Deu aula de virtuosismo no baixo, na guitarra, no piano, no banjo... E, para completar, estava muitíssimo bem acompanhado. Que banda era aquela? “Maravilhosos”, parafraseando o bom português de Macca.
Cada um no palco mostrou o porquê de ter sido escolhido para tocar ao lado de uma das maiores lendas do rock, numa parceria que já dura nove anos. Os guitarristas Rusty Anderson e Brian Ray (que alternou com o baixo) impressionavam com seus solos; Paul Wickens (diretor musical) era mais discreto, mas não menos eficiente nos teclados. Porém, a grande atração da noite, fora o próprio Paul, claro, era o brilhante baterista Abe Laboriel Jr. Ele demonstrou uma entrega total no show e ganhou o público com seu desempenho e dancinhas que fazia quando não era exigida a sua participação no instrumento. O que levou Sir Paul a perguntar, em tom ironicamente surpreso: “Did you like Abe Laboriel?”.
Li alguns comentários no Twitter, principalmente do jornalista Ricardo Noblat, sobre certa “pobreza” na produção do show. Sinceramente, é querer aparecer. E justificar opiniões contrárias a essa como “cegueira de fã” é não ter argumentação. A pobreza aí é de espírito. E se ele não ficou arrepiado em “Live and Let Die” – fiquei completamente rouco depois dessa música - realmente não mereceu ter assistido ao show. Mas, ainda assim, que seja, não briguemos por isso. Pois McCartney poderia se apresentar sem estrutura alguma que o show valeria a pena do mesmo jeito.
Cada canção era um momento único. A Ingrid, que soltou a voz efusivamente até em “Ob-la-di Ob-la-da”, que ela não suporta, segurou as lágrimas até soarem os primeiros acordes de “Got to get you into my life”. Aí não ofereceu mais resistência. Já em “My Love” - que Paul escreveu para a sua “gatinha linda, mas que agora era dedicada a todos os namorados” – nada melhor do que abraços e beijos para comemorar o aniversário de namoro (data perfeita, não?). Só faltou “Maybe I’m Amazed” na sequência, mas essa eu canto no ouvidinho dela, sem problemas (ah, e ela também me deve uma costa nova por tê-la carregado em algumas horas para ver melhor esse “velhinho enxuto”, hehehe).
O cenário perfeito também aconteceu em “Blackbird”. Foi quando a chuva deu uma trégua e a lua cheia surgiu, meio sombria, entrecortada por algumas nuvens. Isso sem contar com as homenagens a George Harrison e John Lennon, com “Something” e “Here Today”, respectivamente, que fizeram o público fechar os olhos, erguer as mãos e prestar reverência. Isqueiros acesos na pista e pulseiras coloridas nas arquibancadas completaram o bonito espetáculo.
Ao final, uma certeza: esse show foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes da minha vida. Antes, durante e depois. A agonia para comprar ingressos, os problemas pré-viagem, a espera na fila, a tia de João Pessoa, que parecia ter vindo direto de Woodstock, e que, com a maior cara de pau, furou na nossa frente, mas ninguém se queixou de tão engraçada que ela era; a chuva ininterrupta desde 14h, os pulos e a euforia rock’n’roll em “Helter Skelter”, “Back in the USSR” e “Day Tripper”, os corpos exaustos jogados no chão após os dois bis, além da volta para o hotel, molhados e mancando. Tudo valeu a pena. Feliz, muito.

“I've got a feeling, a feeling deep inside / Oh yeah, Oh yeah (that's right)
I've got a feeling, a feeling I can't hide
Oh no. no. Oh no! Oh no
Yeah! Yeah! I've got a feeling. Yeah!”









quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Com vocês, as Trash Dolls


A empresa americana Arsenic & Apple Pie (www.trailertrashdoll.com) lançou, em 2005, uma linha de bonecas nada convencional: as Trash Dolls, que mandam para o inferno as versões politicamente corretas da Barbie.
O doido que gosta de colecionar essas coisas pode escolher entre dois modelos, a Trash Talkin Turleen ou a Trailer Trash Doll. A primeira é uma americana "sofisticada", um modelo de mãe trabalhadora; a segunda, uma moradora de trailer com um Q.I. de não fazer inveja, segundo o site da empresa.
A Turleen é mãe de sete filhos e está grávida de mais um. Depois de horas de trabalho duro como garçonete, ela consegue passar horas de qualidade com seus filhos. A Trailer foi concebida num banheiro de posto de gasolina e criada à base de sanduíches de carne, óleo, queijo e cerveja.
Para finalizar, a boneca Trash Talkin Turleen diz algumas frases como: "Quero dose dupla, estou bebendo por dois" e "Se o trailer estiver balançando, não bata na porta". Só rindo mesmo... (Com informações do portal Terra)

The Walking Dead - Primeiras impressões

As portas do inferno foram abertas mais uma vez, dando passagem aos mortos, que voltam à vida para saciar sua fome de carne humana. Como, quando, onde e por que os ataques começaram são perguntas sem resposta. E, sinceramente, ninguém dá a mínima pra isso. Apenas uma coisa está em jogo: sobrevivência. Pronto, esse é o básico para qualquer produção sobre zumbis, não importa a mídia escolhida para se trabalhar. No caso de The Walking Dead, primeiro os quadrinhos, agora a TV.
A trama criada por Robert Kirkman não foge à regra. No comando de um grupo de sobreviventes de um apocalipse zumbi, o policial Rick Grimes cruza os Estados Unidos em busca de um local seguro para viver. E ainda há um clássico detalhe envolvido: o protagonista estava em coma no hospital e, após despertar, terá que se adaptar ao novo e perigoso mundo, enquanto procura pela esposa e pelo filho.
Não comecei ainda a ler os quadrinhos, cujos números de 1 a 70 já estão no meu computador – a série está na edição 78, se não me engano. Mas assisti aos dois primeiros episódios transmitidos em canal fechado no Brasil – Fox. O resultado? A cada cena, me vicio. Tenso, dramático e complexo. Esse universo não poderia ganhar vida de outra forma. Não é à toa que a televisão vem superando o cinema qualitativamente nos últimos anos.
Apoiada num forte esquema de marketing, além, é claro, da presença de um craque como Frank Darabont nos bastidores (produção e roteiro), a estreia de The Walking Dead foi aguardada ansiosamente por fãs do gênero de todo o mundo. E quando a hora chegou, não houve desapontamentos – uma ressalva apenas aos cortes que a Fox fez na exibição por aqui: 90 minutos nos EUA e 56 minutos no Brasil. Ridículo e sem explicação lógica.
Ainda assim, a paixão por esses corpos sangrentos e em decomposição acontece à primeira vista (macabro isso, né? Hehehe). Se a série teve algum defeito até agora, juro que não percebi. Dirigido pelo mestre do terror, Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica, Poltergeist), o episódio piloto possui uma estrutura cinematográfica bem definida, tanto na progressão dramática quanto no ritmo ágil empregado nas cenas de suspense.
Outro aspecto interessante é o desenvolvimento dos personagens. E isso será legal de acompanhar, pois na TV essa relação personagem-espectador tende a se tornar “íntima”. É inevitável a cumplicidade que surge daí – vide o que aconteceu em Lost. E ouso dizer que mais do que questões como roteiro, direção ou efeitos visuais, é nessa empatia com o público que reside o sucesso de uma série de televisão. Afinal, você não vai torcer, seja contra ou a favor, por temporadas a fio, se não se importar com o personagem.
The Walking Dead começou bem, muito bem. E mostrou a que veio logo na primeira cena, quando Rick dá de cara com uma criança zumbi e mete um balaço na cabeça da menina. Ela ilustrou perfeitamente o que esperar da série. O tempo da inocência ficou para trás. A humanidade regrediu. Os instintos primitivos estão em voga. A barbárie impera. É a arte imitando a vida. Só adicionando os zumbis...

domingo, 24 de outubro de 2010

À Prova de Morte (Death Proof, 2007)



Após a sua sensacional estréia em Cães de Aluguel, Quentin Tarantino descobriu que a Girl Power era a maior marca de suas influências cinematográficas. Claramente influenciado pela estética Pulp, o diretor reforçou suas características metanoir dando às femme fatales um papel de destaque nas suas obras. O maior exemplo é Uma Thurman, em Pulp Fiction e Kill Bill, mas também Pam Grier em Jackie Brown, Melanie Laurent em Bastardos Inglórios. Mas, a cereja no bolo do cineasta está neste Á Prova de Morte. Tarantino usa e abusa da sua tara por pés, tira das atrizes o melhor da sua sensualidade, com direito a quase closes ginecológicos e dá a elas a fúria necessária na hora da vingança. Todo o poder feminino ao cinema!.



Apoiando em diálogos extensos, onde novamente mistura cultura pop com futilidades, Quentin passeia pelos rostos femininos, pelos corpos, como um voyeur próximo, um observador da alma feminina. Ele faz o espectador se apaixonar pelas personagens, para depois massacrá-las sem dó. Mais personagens entram em cena e quando parece que serão as próximas vítimas, o jogo muda. O psicopata, ganhando a cara de Kurt Russel, no papel da sua vida, se torna vítima.



Como sempre, também, Tarantino investe nas influências marcadas. Passou pelos filmes chineses, Blaxplotation, e agora vai de Grindhouse, películas de baixo orçamento feitos na década de 70. Aqui, misturado com um legítimo Road Movie australiano. E tome cenas antológicas, como a batida de frente entre os possantes, e aquela da perseguição vingativa que dura 15 minutos. Parece muito menos.




Nota: 10.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Radar Trash Recomenda: Ilha do Medo – Shutter Island (2009)


Filme de Suspense dirigido por Martin Scorsese? É claro que não tinha como dar errado. Afinal, mestre Martin é um senhor supremo quando o assunto é o domínio imagético da estética do Cinema. E o cineasta entra em um terreno perigoso que é o suspense psicológico. Afinal, poucos conseguem estabelecer uma atmosfera decente para a história, como Stanley Kubrick em O Iluminado. A última vez que lembro de ter visto um bom suspense psicológico foi em Identidade, de James Mangold.

Mas Scorsa (permitam-em chamá-lo assim. É que são tantos filmes que já me sinto íntimo do sobrancelhudo) é assim. Se em outros casos, panorâmicas aceleradas, cortes abruptos e quebra de lente seriam erros imperdoáveis, neste especificamente, o nosso diretor sabe o que faz. Nada ali, durante toda a narrativa, sejam os diálogos, o cenário, a fotografia, montagem, elenco, é por acaso. Cada elemento em cena, cada mise-en-cene tem uma razão de ser.




Leonardo di Caprio e Mark Ruffalo são dois agentes federais enviados a uma ilha, na década de 1950, para investigar o desaparecimento de uma assassina que estava internada em um hospital psiquiátrico que há ali. Desde a chegada da dupla no rochedo, cada cena remonta a um quebra cabeça, desde a desconfiança dos soldados, os ferimentos do agente de Di Caprio até o furacão que se avizinha. E ali acontece de tudo, rebelião de presos, psicólogos fujões, diretor alemão (que reacende um trauma de guerra no policial), fósforos.



Em pequenas e marcantes participações, Elias Koteas Jackie Earle Haley e Patricia Clarkson, mudam o rumo da história, até desaguar em um final impactante. Aliás, a frase final do personagem Teddy, de Leonard, é brilhante e remete ao tormento e a remissão de pecados que atinge Jack Nicholson em O Iluminado e De Niro, em Taxi Driver. No fundo, Scorsese não está muito interessado em sustos fáceis e espíritos. Para ele, o verdadeiro terror está na mente humana.

Imperdível. Nota 10.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Zombie Strippers

Zombie Strippers. Há tempos que eu queria assistir a esse filme, embora todo mundo me alertasse que se tratava de um lixo. E, de fato, o roteiro tem mais buracos do que as ruas de Belém, os efeitos são os mais canalhas possíveis e as “interpretações” estão no limite do sofrível. Resultado: eu gostei. Sempre falam que existem duas maneiras de se apreciar um filme trash. Uma é amar todos eles incondicionalmente, apenas porque carregam esse estigma. A segunda é ser um caçador de preciosidades, daqueles filmes que nasceram assim, mas superaram as suas limitações e alcançaram outro status. Estou mais para a primeira categoria.
Mas, ainda assim, acredito que houve certa má vontade dos “detratores”– entre eles o companheiro de blog, Fábio Nóvoa. Na trama, uma agência governamental deixa escapar um vírus mortal que provoca a reanimação dos mortos e o primeiro local a ser atingido é um clube de striptease. Ao passo que uma das dançarinas contrai o vírus, ela se transforma em um zumbi que se alimenta de carne humana, mas que, paradoxalmente, se torna a sensação da casa.
Pra começar, adorei o sarcasmo da produção. Bom humor é algo que todo filme trash tem que ter. E o famigerado ex-presidente norte-americano, George W. Bush, foi o alvo principal nesse quesito, em tiradas inspiradas (mas que, obviamente, já nasceram datadas). Além disso, tem Robert Englund compondo um personagem de maneira tão afetada que é impossível não rir ao pensar que aquela tia velha ali é o eterno Freddy Krueger.
Outro “destaque” é a atriz pornô Jenna Jameson como líder das strippers. Ela parece ter saído de um livro da Bruna Surfistinha, só abrindo a boca pra dar lições de moral sobre como uma ploc deve se portar. E o pior é que as strippers não se calam quando se transformam zumbis, ao contrário, mostram todo o seu “girl power”. Aliás, todas as demais moçoilas têm suas historinhas pessoais expostas e devidamente resolvidas no momento em que são infectadas – piadas relacionadas a herpes e outras DST’s correm soltas.
Para finalizar, as partes mais engraçadas dizem respeito àquela máxima de que “homem pensa com a cabeça de baixo”. Isso é muito bem explorado e proporcionam momentos hilários. A rapaziada fica aqui no lugar daquelas loiras burras dos filmes de terror adolescente, que sempre fazem a pior escolha possível num momento de desespero. Nem mesmo com a carne das strippers apodrecendo, eles deixam de achá-las gostosas e rezam por uma dança reservada. Isso é que é ser macho...

domingo, 5 de setembro de 2010

Os Mercenários

Desligue seu cérebro. Tiros, explosões e muita porrada virão a seguir. E alguém esperava algo mais de um filme que reúne Sylvester Stallone, Dolph Lundgren, Jason Statham, Jet Li, Mickey Rourke, Eric Roberts e outros heróis de ação canastrões? Ah, claro, um monte de tiradas engraçadinhas, além de uma desculpa esfarrapada para detonar com um ditadorzinho num país fictício na América Latina, o que acaba servindo como “roteiro”. O resultado dessa gororoba se chama “Os Mercenários”, que, por incrível que pareça, diverte pra caramba.
E diverte por um simples motivo: não se leva a sério em momento algum. Todos ali estão bem à vontade com seus personagens, que nada mais são do que autoparódias. Eles brincam com os clichês do gênero e fazem dessa produção uma grande brincadeira, como uma reunião de amigos tem que ser. Foi uma tacada de mestre de Stallone, que, depois de ressuscitar com êxito os icônicos Rocky e Rambo, precisava de oxigênio para manter sua carreira em alta.
O interessante é que quem esperava por uma homenagem ao cinema de ação oitentista ficou decepcionado. A estética em nada lembra os filmes daquela década. Ao contrário. Perseguições e lutas seguem o estilo Michael Bay, quase causando um ataque epilético em quem tenta entender o que se passa na tela. Felizmente, isso não se aplica quando apenas duas pessoas duelam. Ver Lundgren e Li cara a cara é de dar pulos na cadeira. Além do que a violência é estilizada. O sangue jorra e corpos são despedaçados numa coreografia mórbida, bem plástica mesmo, nada a ver com os anos 80.
Quer outro exemplo? Não há o famoso “exército de um homem só”, típico do período, que consagrou Schwarzenegger, Chuck Norris e o próprio Stallone. Não, aqui o trabalho de equipe é exaltado. Um por todos e todos por um, esse é o lema. E já que eu mencionei o “Governator”, a sua participação no filme, ao lado de Sly e Bruce Willis, já pode ser considerada um marco na história do cinema de ação. Simplesmente hilária. E olha que durou apenas cinco minutos. Talvez em uma continuação a dose se repita. Sly já disse que quer aumentar o espaço de Willis como vilão. Se as obrigações políticas de Schwarza permitirem... E quem sabe dessa vez Van Damme, Steven Seagal e Wesley Snipes não topam a parada. Já pensou?
É preciso destacar também o tempo de tela dado a Gisele Itié, atriz que nasceu no México, mas foi criada no Brasil. Interesse romântico de Stallone, é por causa dela que os mercenários encaram a missão, pois não querem deixar o chefe na mão. Foi uma grata surpresa, um suspiro de feminilidade num mar de testosterona. Para terminar, aquela história de boicote ao filme pelas declarações imbecis de Stallone sobre o Brasil é uma babaquice. Isso ajuda na promoção do filme. Se nem o cara se leva a sério, eu que vou levar? É ruim, hein.

P.S: Eric Roberts talvez seja menos conhecido como herói de ação do que como irmão de Julia Roberts, mas pelo menos na minha memória ele é um herói, pois me lembro dele no filme “Operação Kickboxer”, de 1989. Via essa podreira quando era criança e me divertia horrores. Se você gosta do gênero, vale a pena dar uma procurada nas locadoras ou pela internet. Fora outros clássicos dos “mercenários”, como: “Massacre no Bairro Japonês” (Lundgren), “Cobra” (Stallone), entre outros...


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Capital do Pará é atacada por zumbis

Post sensacional publicado pelo jornalista Anderson Araújo (www.bebadogonzo.blogspot.com)

Ninguém sabia que aquele camburão jogado perto dos açaizais faria tanto mal, embora todo mundo tenha achado a substância viscosa e esverdeada nada parecida com óleo, como alguns insistiram em classificar o produto. Dali ao passamento de dona Raimunda, foram apenas três dias, tempo que o fruto contaminado chegou à mesa em forma de vinho, do grosso, feito no fundo do quintal da pequena choupana, na Ilha das Onças.


Logo depois de três colheres, a velha arregalou os olhos, colocou a língua para fora e caiu para trás, numa epilepsia tenebrosa de trançados de pernas, peito arfando e estrebuchos medonhos. O resgate demorou para chegar, como sempre, porém naquele dia a lentidão era maior pois o dia era de festa em Belém: as ruas estavam tomadas de gente e as forças de seguranças empenhadas na grande romaria da padroeira da cidade, naquele segundo domingo de outubro.

Ainda assim, os bombeiros chegaram e colocaram a mulher desacordada na aeronave que em pouco menos de dez minutos já estava pousando perto do hospital onde a mulher arroxeada, de boca preta, olhos virados e desgrenhada tentaria ser salva. Porém esperou quase uma hora no corredor em cima de uma maca imunda, onde sucumbiu antes de dar um espasmo bizarro e soltar um jato de lama negra pela boca, inundando o espaço destinado aos passantes.

Apesar do óbito não chamar atenção de nenhum profissional de saúde, a sujeira foi grande e sobrou para o auxiliar de serviços gerais limpar as imundícies. Reclamando sempre e de escovão nas mãos, ele nem percebeu quando a velha levantou tesa das profundezas do desconhecido e pulou nas suas costas, arrancando de uma vez só um pedaço enorme do seu rosto.

Não demorou muito para Raimunda – ou o que ainda parecia ser de longe a rotunda anciã das Ilhas das Onças – espedaçar o pescoço do servente, a primeira vítima de ataque sem precedentes à capital paraense. Logo alguns homens que velavam seus doentes no corredor tentaram agarrar a mulher lambuzada de sangue e de expressão de cão raivoso. O primeiro desavisado tentou pela frente e foi abocanhado no braço. O segundo teve o dorso arranhado e também foi ferido pelos dentes da velha, que o imprensou contra a parede e o esmagou. Um terceiro ainda tentou bater com uma bandeja, mas escorregou no vômito e ficou indefeso diante da fúria daquilo que já não lembrava uma mulher, mas sim uma fera.

Rápido, o faxineiro morto repetiu a dose: mostrou os mesmos sintomas e trejeitos da velha, levantou ensandecido e, num pique acelerado, alcançou uma morena magra e triste, ao canto da parede, para despedaçá-la como se fora feita de isopor. Em poucos minutos, o corredor do hospital era um deus nos acuda com gente em pânico esmagando doentes caídos no chão, fugindo dos defuntos recentes que estranhamente recuperavam a energia vital, agora tomada de uma espécie de efeito potencializado de uma superdroga sintética e mau humor matutino elevado a níveis humanamente insuportáveis.


O tumulto chegou à portaria do hospital com sons de tiros e mais gente sendo violentada pelos famintos mortos-vivos. Um ladrão, baleado na perna pela polícia poucas horas antes, foi o primeiro a anunciar a novidade para aquela capital brasileira, que jamais ousaria prever um ataque daqueles. O ferido berrou: “Zumbis em Belém. Aaaaaaaaaaaaaaah”. E tentou se esgueirar para se trancar em uma dos encardidos consultórios do Pronto Socorro, sem sucesso por causa da algema. Quando começou a rezar a única oração que sabia, sentiu os dentes de uma adolescente que antes da transformação provavelmente nunca iria mordê-lo e, se viesse a cometer tal sandice, o larápio iria adorar.

Os primeiros tiros foram dados pelos seguranças, mas a turba de quem fugia cegamente e de quem perseguia sem motivo aparente já tinha tomado as ruas. Com as ruas entupidas de carros, paralisadas na massa palpável de calor típica da cidade e da movimentação característica dos religiosos em romaria não muito longe dali, foi fácil saciar a vontade de comer miolos e beber sangue dos que buscavam loucamente esse intento.

Muitos fugiram para o local mais correto no momento, rumo à Av. Pedro Miranda, do bairro da Pedreira, do Samba e do Amor. Lá, quarenta e três dias depois, agregaria um foco da resistência, única iniciativa organizada que se teve notícia frente à infecção. Porém, no calor da primeira hora, outros tantos fugitivos e perseguidores seguiram para onde havia o outro tumulto ainda maior, o da massa espremida de gente rezando, pagando promessas e louvando a padroeira.

Nas ruas, ninguém mais se entendia. A polícia atirava para cima com seus velhos 38, lojas eram saqueadas, velhos caíam com seus terços na mão e eram pisoteados, porteiros eram espancados e prédios eram invadidos, motoristas abandonavam carros, crianças se perdiam e viraram alvo fácil dos comedores de gente. Quando os desgovernados zumbis alcançaram o rio de gente da procissão, os devotos acreditaram, de início, ser mais um dos comuns desarranjos na “corda”, um dos elementos essenciais daquela manifestação de religiosidade, onde os pagadores de promessa agradeciam e se sacrificavam para demonstrar amor à Santa de sua melhores preces. Embora os apegados ao cordame estivessem mais tranquilos do que o normal de todos os anos, muita gente jurou vir do epicentro da romaria aquela gritaria soturna e os empurrões, no começo, transformados em tentativas desesperadas de fuga e, em seguida, no que só pode ser nomeado de caos.


A ira de dentes, de uma fome primitiva, desaguando em apocalipse jamais pensado sob o calor tropical de um outubro de orações católicas, atingiu em cheio aquele povo que saíra de casa somente para louvar, mostrar roupas e sapatos novos, ver e ser visto naquele glorioso espetáculo abençoado por Deus. No entanto, onde andaria Deus naquela hora de barbárie, de cenas infernais, como a do pagador da promessa dos caranguejos sendo devorado por três mortos-vivos na Av. Nazaré. Grande parte dos crustáceos, atados ao corpo do homem durante a procissão, tratou de sair de fininho e escorregar para o bueiro mais próximo, enquanto seu dono virava um deliciosa banquete cru sobre o asfalto.

A essa altura, a balbúrdia era tamanha que o arcebispo reuniu guardas e devotos escolhidos a esmo para salvar a imagem peregrina e tentar abrigo na Basílica. O pequeno exército de cruzados do improviso rasgou o mar humano à força, conseguindo chegar ao templo, protegendo a santinha, que não era a original, porém, merecia toda honra e esforço feito pelos heróis do triste episódio. Muitos deles se perderam no caminho e o líder da procissão chegou rasgado, esbaforido, imundo, irreconhecível até o destino que o protegeria. Tão diferente da impoluta figura que iniciara a caminhada benta que precisou implorar para entrar na casa do Senhor, guardada por ele mesmo com tanta fé nos últimos anos. Na nave central, um punhado de beatas, religiosos e alguns leigos desconhecidos morrendo de medo do fim do mundo que estava a precipitar atrás do imenso portão de entrada da igreja

Do lado de fora, tapetes vermelhos gente de pisoteada, incêndios de todos os tamanhos em lojas e prédios ao redor, sirenes e a imprensa atordoada tentando mostrar a dimensão do escandaloso massacre iniciado com três simples e inocentes colheradas de açaí. Os canais enviaram inadvertidamente suas jovens equipes, capitaneadas por repórteres nada experientes. Diante da catástrofe, os profissionais da imprensa não conseguiram narrar com propriedade a dimensão do problema. Alguns serviram de chacota durante as transmissões ao vivo, pois viraram comida para os mortos-vivos muito mortos de fome. E o riso do telespectador chegava frouxo, porque na tela da TV, tudo parecia uma comédia absurda e fingida para quem ainda não havia sido atingido pela hecatombe exclusiva e infelizmente parauara.

A partir de então as coisas só pioraram. Poucos dias à frente, a principal autoridade da cidade, acostumada à distância, tratou de levantar vôo em um helicóptero rumo à Miami, lugar mais longe em que o ignóbil prefeito lembrou como refúgio. Os policiais militares trataram de se entocar nas suas casas para defender suas famílias, abandonando suas funções de agentes públicos. Da Tribuna do parlamento, deputados de oposição ao governo exigiram a deposição de todo o Executivo estadual e uma intervenção federal, sempre comparando com os feitos da gestão passada muito mais ágil em todos os sentidos, inclusive em um ataque inédito de zumbis. Porém, os raríssimos políticos ainda vivos ou não transformados em zumbis não escondiam em seus olhos: o pavor tomara conta de todos, sem exceção, em todos os extratos sociais.


Com o tempo se adiantando e as esperanças cada vez menos críveis, quem pôde se esconder em matagais insuspeitos partiu de mala e cuia, sem ter sossego ou êxito na fuga, porque poucos lugares ainda não tinham sido minados pelo que uns chamavam de doença, outros de maldição, outros de delírio coletivo e todos de desgraça absoluta naquela terra que de desgraças estava cheia, mas as absorvia aos pouquinhos, no cotidiano.

Nos condomínios de luxo, fortunas foram gastas para reforçar a segurança, mas nada adiantou. Não havia trabalhadores corajosos o suficiente para resguardar as portarias de trincheiras, cercas elétricas, canhões, ninhos de metralhadores e tanto apetrechos inúteis à ira surda e cega dos que insistiam em não morrer e levar os vivos para o seu time. Barões se trancaram nas suas mansões, ligando para Deus e o mundo em busca de socorro, sem nenhuma resposta convincente de ajuda. Os mais desesperados servirão jantares deliciosos, feitos apenas em grandes festas, para a família inteira, sem avisar aos seus queridos que os alimentos estavam empestados de veneno. Banhados e bem vestidos, morriam com certa dignidade, sentados às suas mesas de 15 lugares.

A solução final foi uma questão de tempo. Na verdade, pouco mais de dois meses após o caso de dona Raimunda. A urgência da situação, a pressão dos outros Estados devido ao risco de verem suas populações contaminadas, a grita geral da comunidade internacional diante do novo modelo de holocausto antes visto apenas nos filme de George Romero, a falta de experiência diante do cataclismo social travestido de problema de saúde pública... Tudo, absolutamente tudo, levou a uma decisão extrema das autoridades.

Quando a primeira bomba foi largada do avião, como um ovo posto por uma galinha gigante, o Ver-o-Peso estava em paz, como nunca esteve, com apenas alguns zumbis cambaleantes zanzando pela área, igual faziam os bêbados antes da primeira mulher se contaminar. A aurora anunciava mais um dia de sol a pino, como tantos outros reclamados pelos belenenses em tempos já esquecidos. Naquela hora, os sobreviventes da Pedreira já estavam de pé rezando a oração de toda manhã para a volta da normalidade. Os clarões tomaram conta de tudo e puseram fim a mais de 400 anos de história de uma cidade. Um capital, praticamente, desconhecida para o resto do Brasil e que, naquele sábado de dezembro, seria extirpada totalmente da memória da nação para ser rememorada vagamente como o local em que a morte caminhou de cabeça semi-erguida, teimosamente, transformando vivos em um meio termo incômodo e deixando para trás uma lição para ninguém aprender.

sábado, 17 de julho de 2010

Walking Dead chega à TV

Pra quem gosta de uma boa história de Zumbi, uma novidade: o canal americano AMC lancará, em outubro deste ano, a série derivada da HQ de sucesso do quadrinista Robert Kirkman, Os Mortos Vivos (Walking Dead). De olho nos fãs dos quadrinhos e de histórias de terror, o canal já começou a divulgar informações e fotos do elenco. Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade e O Nevoeiro) dirigirá e escreverá os roteiros, o que é bom sinal.

A história: O policial Rick Grimes acorda de um coma e descobre que tudo se transformou em um holocausto zumbi. No elenco, os atores Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Jeffrey DeMunn, Michael Rooker e outros.







Fotos: Divulgação AMC

Blog da produção: http://blogs.amctv.com/the-walking-dead/

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Clássico Trash - Pink Floyd

Pink Floyd - Welcome to Machine

Uma música hipnotizante e um videoclipe em animação sensacional. Psicodelia total!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lost e a jornada em busca de redenção


Texto publicado originalmente no site do Diário do Pará: www.diariodopara.com.br


Lost não é sobre viagens do tempo, pesquisas científicas, religião. Mas, uma jornada de vários personagens na busca pela redenção. Pelo seu Walkabout. Todos movidos pelo sentimento de culpa, pessoas ambíguas e solitárias (mas quem não é?). Claro que o fato de todos estarem em um avião da Oceanic, vôo 815, que caiu em uma ilha não é irrelevante. Mas todas as transformações que se sucederam, estas sim, foram a mais importante.

Jack queria ser o pai. Kate, uma mulher livre. Sawyer queria ter um passado. Hurley uma vida sossegada. Sayid estava querendo esquecer o passado. Charlie não queria mais ser um viciado. Rose e Bernard só queriam mais tempo. Benjamim Linus, ser o líder. Richard queria envelhecer. Desmond só queria o amor de Penélope. Sun, o de Jin. Jin, o reconhecimento da esposa. Michael buscava o amor do filho, Walt. Claire queria ser uma boa mãe. E finalmente, Locke almejava o seu destino, que não envolvia uma cadeira de rodas.



As muitas histórias que formaram a complexa saga de Lost

De uma forma ou de outra, no final, eles encontraram a redenção. Mesmo que para isso, tivessem que ir ao passado, enfrentar monstros de fumaça, ursos polares, sair da ilha. Voltar para a ilha. Passar uma infinidade de mistérios. Aqueles que os fãs queriam respondidos. E que foram. É só procurar e olhar direito pelas seis temporadas e 114 episódios. Estátua egípcia, Eletromagnetismo, aparições de mortos, estações de comunicações subterrâneas e aquáticas, teletransporte. Tudo foi devidamente explicado e subentendido.

É claro que a série teve suas falhas. Personagens sem função (Nikki, Paulo, Ana Lúcia). Os episódios chatos da Kate. Aquele episódio das tatuagens de Jack. Em compensação, contou com momentos espetaculares. Basicamente todos os episódios de Benjamim Linus e John Locke. As mortes chocantes e inesperadas. A narrativa fragmentada em Flashbacks, Flashforwards e Flashsideways. Poucas produções inovaram tanto na maneira de contar a história.

>>Atenção! A partir de agora o texto possui spoilers (detalhes reveladores). Se você ainda não assistiu a serie, pode parar por aqui!

Aqueles que estão acostumados em acompanhar histórias bem explicadinhas, com manuais de como começa e como termina estão inconsoláveis com Lost. Como pode uma série cheia de mistérios, não fazer um último capítulo com aquelas explicações detalhadas?

E o final. Ah, o controverso final. A descoberta que aquela outra vida paralela, era na verdade após a morte, caiu literalmente como uma bomba na cabeça das pessoas. Todos se encontrando na igreja e finalmente “seguindo em frente”, não poderia ter sido melhor e mais poético.

“Te vejo em outra vida, Brotha”

Alguns sites brasileiros são especialistas em tirar dúvidas de Lost, como o Dude We Are Lost, Lost In Lost, Teorias Lost e o Ligados em Série. Quem quiser saber um pouco mais sobre a série é só pesquisar neles.

Texto: Fábio Nóvoa

sábado, 22 de maio de 2010

Hora do Pesadelo

O terror deforma o rosto delicado, angelical. O suor mancha a roupa, que gruda no corpo, revelando detalhes da perfeita anatomia. Não adianta correr. Ele vai alcançá-la, está cada vez mais perto. Dá até para sentir a respiração quente e a ânsia assassina daquele maníaco que transformou doces e inocentes sonhos em pesadelos. Uma porta. Uma saída? Pode ser, é preciso tentar. Antes disso, porém, o chão do estreito corredor cede e vira uma piscina de sangue. O vermelho vivo banha a vítima e inunda a tela.
“Cineasta não tem nada a dizer, só a mostrar”. Truffaut conseguiu mostrar em apenas uma frase que era um cara que entendia perfeitamente a essência do cinema. E a afirmação do diretor francês, apesar de poder ser aplicada a qualquer gênero, recebe contornos ainda mais significativos quando se trata de uma obra de horror. O impacto visual, nesse caso, às vezes salva um roteiro fraco e passa ao espectador uma sensação de qualidade que o filme, em geral, não possui.
A cena descrita no primeiro parágrafo pertence à nova versão de “Hora do Pesadelo” e se enquadra muito bem nessa questão do impacto visual. Ela é exibida quase no final e parece que passamos o filme inteiro só para chegar neste momento. Ali está o terror. O resto foi brincadeira de criança, como as garotinhas que cantam “Um, dois, ele vai te pegar...”. Fora isso, um ou dois sustos obrigatórios que nos fazem pular da cadeira e pronto. The end.
Não que o filme seja, de fato, uma “bomba”, como muita gente alardeou. Trata-se de uma produção correta, mas que poderia ser bem melhor do que é, sem dúvida. Tem um problema grave na construção dos personagens, com um início muito confuso e demora a prender a atenção do público, embora traga um assassinato logo de cara. O que conta a favor? Freddy Krueger, claro. A complexidade do vilão é bem trabalhada, tanto antes como depois da ascensão da icônica figura em carne viva e de pulôver listrado em vermelho e preto. Talvez tenha faltado um pouco mais de sadismo e humor negro. Freddy mata rápido demais. Ah, e Haley tem um ótimo desempenho, mas Englund ainda é “o” Freddy.
Não se pode deixar de considerar também o legado da série. Criada em 1984 por Wes Craven, a carreira nos cinemas é longa: sete filmes e um crossover com Jason, de “Sexta-Feira 13”, fora os quadrinhos e outros artigos de cultura pop que sempre acrescentam algo à história do personagem. Enfim, é duro ser original. A base já está aí há tempos e, além disso, é engraçado notar como a franquia se desenvolve de forma mais satisfatória nas mãos do seu “pai”: é unânime entre os fãs que os filmes dirigidos por Craven (1, 3 e 7) são os melhores.
A tarefa entregue a Samuel Bayer (estreante, diretor de videoclipes), portanto, não era simples. Mas ele conseguiu fazer o arroz com feijão e uma cena sensacional, totalmente gore, e apresentou o personagem às novas gerações. Já é alguma coisa.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Radar Trash Recomenda: À Beira da Loucura (In the Mouth of Madness, 1995)


Este filme passou até em Tela Quente, mas permanece subestimado na extensa filmografia do diretor John Carpenter (mais conhecido pela série Halloween e por Starman, mas autor de muitas pérolas do cinema). Na verdade, é uma homenagem do diretor ao terror mais gótico de H.P.Lovercraft.



Sam Neill vive um investigador, John Trent, que é contratado para encontrar um escritor desaparecido e, aos poucos, acaba encontrado, na realidade, as situações que permearam o livro do escritor Sutter Cane, em situações surreais. Um aspecto interessante é saber se tudo que passa na tela acontece na realidade ou se é fruto na insanidade cada vez maior do detetive.



Destaque para os efeitos especiais da Industrial Light e Magic, de George Lucas. Carpenter é dono de um currículo invejável (Eles Vivem, o Enigma do Outro Mundo, Fuga de Los Angeles) e acerta a mão no suspense, apesar de alguns furos pesados do roteiro. O diretor vai do suspense até o trash podreira. Outro destaque é o final pessimista e surpreendente. Jurgen Prochnow rouba a cena quando aparece e Charlton Heston é quase um coadjuvante de luxo. Enfim, mais uma jóia esquecida que merece uma segunda chance.



Cotação: Bom

Trailer:

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Fantasia sexual nerd

Que fã de Guerra nas Estrelas nunca sonhou com a princesa Leia totalmente deliciosa em seu biquini dourado no filme "O Retorno de Jedi"? Se você faz parte desse grupo, saca só esse vídeo que mostra a famosa lavagem de carro por garotas seminuas de um jeito um pouco mais nerd, digamos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Coleção Vaga-Lume

Ainda lembro a primeira vez que gostei pra valer de um livro. Foi com oito anos de idade, durante as férias de julho em Mosqueiro. Meu primo havia levado um exemplar de “Deus me Livre”, de Luiz Puntel, e como desde pequeno fugia do sol e da badalação típica do período, me enfurnei no quarto e não conseguia parar de ler. Nem ligava para as constantes reclamações do então ex-dono do livro. Resultado: no dia seguinte telefonei para a minha mãe, que ficara em Belém, e pedi que comprasse novos títulos da série à qual pertencia o livro e que tanto me encantou, a Vaga-Lume, da editora Ática.
Quando regressei para a volta às aulas, já tinha devorado uns seis ou sete livros da coleção que, fui saber, existia desde 1972 e reunia vários escritores de renome. Ou seja, um longo caminho pela frente. E o melhor é que na contracapa constava uma seleção de títulos. Era só marcar qual queria e pronto. A partir daí, a missão de me abastecer com essas leituras passou a ser, basicamente, do meu pai. Recordo de um dia em particular, na Jinkings, quando ele deixou a livraria mofino e eu carregado de livros, feliz da vida. Foram cinco, se não me falha a memória. Entre eles, “O Mistério do Cinco Estrelas” e “O Escaravelho do Diabo”. Outros clássicos que me vêm à cabeça agora são “A Ilha Perdida” e “O Caso da Borboleta Atíria”.
Uma situação curiosa foi quando minha mãe me disse que havia livros da coleção guardados em algum lugar de casa, pois tinham sido leitura escolar obrigatória para meu irmão, nove anos mais velho que eu – ele odeia a série e uma simples menção a ela lhe causa arrepios até hoje, o que é compreensível, já que ler é algo que deve ser incentivado e não imposto. Só sei que segundos depois minha mãe se arrependeu de ter me dado a informação. Fiz todo mundo revirar estantes, guarda-roupas e qualquer lugar onde pudesse estar escondido esse tesouro.
Cheguei a ter cerca de cinquenta exemplares e ainda tenho um bom número deles – emprestar é fogo, a probabilidade de retorno sempre é reduzida. Li a maioria mais de uma vez, às vezes começava a ler durante o almoço e terminava duas horas depois, por aí. Eram textos leves, de aventura e suspense, com boa dose de humor. Meus autores favoritos eram Marcos Rey, Maria José Dupré, Marçal Aquino e Silvia Cintra Franco, com destaque para o primeiro dessa lista. Rey, morto em 1999, foi talvez o mais prolífico da série e sempre trazia o mesmo trio de protagonistas em suas histórias: os primos Leo e Gino, e a garota Ângela, que se envolviam em tramas policialescas.
Faz tempo que não tiro a poeira da minha coleção Vaga-Lume, outras leituras são prioritárias agora. Mas nunca me esquecerei daqueles personagens que me divertiram tanto na infância e pré-adolescência. Encorajado por eles, passei a frequentar assiduamente as livrarias, tentando descobrir novos autores, outro tipo de literatura. E é engraçado como isso soava, - e ainda soa - esquisito. Um dia, no convênio, estava lendo “Rei Lear” e um amigo meu soltou a pérola: “Shakespeare, tu é fresco?”. Mas tudo bem, sem estresse. Se ele soubesse que a leitura ajudaria bastante nas conversas com as garotas... Azar o dele. Nada que uma sessão de xingamentos mútuos não resolvesse para, cinco minutos depois, voltar para o sossego do meu livro.

Trilogia do trash

Até hoje tem gente que se pergunta o que um cara como Peter Jackson fez para conseguir se firmar como um dos principais diretores de cinema de Hollywood. A saga de Tolkien nos cinemas não era um projeto barato, não admitia riscos, mas, ainda assim, Jackson, famoso por seus filmes de terror de baixo orçamento, foi contratado. A razão? A única, a meu ver, é o poder criativo que ele possui e que seria fundamental em “O Senhor dos Anéis”. Sim, porque pode até não parecer, mas fazer um trash bem feito não é para qualquer um.
Desprezadas por quase todos os estúdios, essas produções funcionam, além do divertimento, como um verdadeiro laboratório para novos cineastas, que se viram como podem para buscar soluções bem sacadas para os problemas que as envolvem, finalizar o projeto e, com sorte, levá-las a algum festival ou mostra – se não, ainda há a possibilidade cada vez mais útil da divulgação pela internet.
Jackson começou assim, com sua própria câmera, juntando amigos em um fim de semana, nas folgas do trabalho, para as gravações. Desse modo peculiar, deixou um legado para aqueles que vibram com obras do gênero. Na verdade, uma trilogia (o cara antecipou a moda sem saber). Já havia assistido às partes um e três, digamos: “Náusea Total”, de 1987, e “Fome Animal”, de 1992.
O primeiro até que tem uma premissa interessante, mas o filme é muito “costurado”, o que compromete a “qualidade” final. Isso se explica, pois se tratava de um curta-metragem de 10 minutos, que foi mudando e crescendo, durante quatro anos, até se tornar um longa. Ou seja, muita coisa ficou pelo caminho. O que não quer dizer também que não seja possível apreciar as cenas sanguinolentas e todo o tipo de atrocidades e escatologias que estão presentes na história, que narra a chegada de extraterrestres ao nosso planeta com o objetivo de estocar carne humana para vender como alimento numa rede intergaláctica de fast-food.
Já “Fome Animal” foi o que mais rendeu notoriedade ao diretor. E não é pra menos. Tem cenas antológicas, como a do padre “dando porrada em nome do Senhor” e um mito do “macaco-rato”, tirado sabe-se lá de onde, para iniciar a história. Melhor (ou pior) do que a criatura é a antagonista, uma mãe super-protetora que se transforma em uma morta-viva, dá início a uma epidemia na cidade e deixa a vida do filho ainda mais desesperadora. Sem contar com o bebê-zumbi, que arranca gargalhadas cada vez que surge em cena.
Os “efeitos especiais” e maquiagens atingiram o auge (na medida do possível) em “Fome Animal”, mas isso só aconteceu porque Jackson teve nesse intervalo um exercício e tanto. Estou falando de “Meet the Feebles”, ainda inédito no Brasil, que baixei da internet e assisti na última semana. E uma coisa posso dizer: é sensacional. O melhor dos três, sem dúvida. Como não foram utilizados atores de carne e osso (alguns fantasiados apenas), ficou muito melhor para criar o clima grotesco.
Esse “muppets às avessas” retrata os bastidores de um popular espetáculo teatral, que abriga personagens sórdidos, sem moral alguma: o chefe, um leão-marinho, é casado com a estrela do show, o hipopótamo fêmea Heidi, mas tem um caso com uma gata siamesa e comanda uma rede de tráfico de drogas com a ajuda de seu assistente, o rato Trevor, que, por sua vez, corrompe fêmeas para fazê-las trabalhar como atrizes pornôs; temos ainda um coelho viciado em sexo, que tenta a todo custo esconder que contraiu uma doença venérea, e um sapo veterano da guerra do Vietña, que trabalha como atirador de facas, mas só faz matar seus ajudantes. O único inocente nessa história toda é o porco-espinho Robert, que se apaixona por uma cadela e busca o seu happy end.
A trama vai detalhando as histórias de cada personagem em uma crítica cruel às pressões do showbizz, inclusive por meio de uma mosca-repórter, que, doida por um furo de reportagem, mergulha, literalmente, na podridão que inunda aquele ambiente. E o filme fecha com chave de ouro, em uma cena feita para lavar, com sangue, a alma de quem repudia tudo aquilo que ali foi apresentado.
Hoje, Jackson enfrenta ainda o preconceito e a resistência de quem acha o cinema fantástico uma bobagem (coitados) ou que os efeitos especiais não devem ter tanta importância. Mas se, nesse caso, eles estiverem a serviço do roteiro e não o contrário, pronto, não tem argumento que possa diminuir o seu valor. Talvez não gostem dele porque teve a coragem de fazer o que muitos críticos não tiveram: meter a mão na massa.





quarta-feira, 21 de abril de 2010

A dura realidade de um Videogame

Para tirar a poeira do blog, esta animação sensacional sobre como é difícil a vida de um personagem de videogame:

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um estalar de dedos

Já diz o ditado que, de perto, ninguém é normal. Por essa lógica, o que dizer do ambiente familiar? A primeira palavra que vem à mente é hospício. Uma batalha de egos, manias, costumes e neuroses, que afastaria qualquer pessoa normal desse problemático convívio. Mas o laço sanguíneo não deixa. É família. Pode-se brigar entre si, mas a união e o amor, em tese, falam mais alto. Não é à toa que essa paradoxal relação é constantemente retratada pela indústria do entretenimento. O material de trabalho é farto, seja para a comédia, o drama ou para a ficção científica e o terror.
A combinação desses elementos também é válida, até mesmo necessária, basta ter competência para tal. E um dos produtos culturais que alcançou um nível de excelência nesse aspecto foi "A Família Addams". Os excêntricos personagens criados por Charles Samuel Addams, na década de 1930, uniam humor e horror na medida certa e transportavam todas as suas esquisitices para o cotidiano de uma tradicional família norte-americana. Com base nessa premissa, surgiram seriados de televisão, filmes, desenhos animados e histórias em quadrinhos. Todos com bastante êxito.
“Estranhos e sombrios e causam arrepios, provocam calafrios, é a família Addams”. Seguido de um ritmado estalar de dedos, essa canção, de autoria do compositor Vic Mizzy, morto no ano passado, ficou gravada na cabeça das pessoas que acompanhavam a mais icônica encarnação deste clã na série de TV dos anos 60. Lá os personagens foram batizados, já que Charles Addams não o fez em suas tiras na revista New Yorker. Gomez, Mortícia, Tio Chico, Tropeço, Vovó, Feioso, Vandinha, Primo Coisa e Mãozinha. Até pouco tempo, eu continuava a assistir às aventuras da família no canal por assinatura Nickelodeon, que exibia os episódios de madrugada. Mas, infelizmente, a série saiu do ar, assim como sua “irmã”, "Os Monstros", também excelente.
Os filmes com Raul Julia e Angelica Huston, no início da década de 1990, também marcaram época, ainda que vários detalhes da concepção dos personagens e da visão original do autor tenham sido modificados (embora tenham incluído a clássica trilha sessentista). No entanto, o espírito de “estranheza” da família com o mundo à sua volta foi mantido e isso é o mais importante. E, nos tempos atuais, em que ser mórbido e impactar já não é tão raro assim, os filmes atingiram um grau interessante na escala do macabro, mostrando que os hábitos “comuns” podem ser mais cruéis do que os que têm gosto pelo gótico.
A saga dessa família já foi, portanto, explorada à exaustão. Não há mais nada para tirar daí, certo? Bem, com Tim Burton na parada, a coisa muda de figura. O cineasta é um especialista em tramas sombrias e, com certeza, terá muito que acrescentar a esse universo, já que foi anunciado, na última semana, como diretor de um projeto em stop-motion 3-D baseado no material original dos Addams. Sou suspeito para falar de Burton, mas o fato é que ele estará em terreno seguro e, embalado pelo seu mais recente sucesso, “Alice no País das Maravilhas”, que deve estrear por aqui na próxima semana, dificilmente vai deixar a desejar. E se eu fosse ele, manteria a musiquinha, pois aquele estalar de dedos é fatal: chama o sucesso.

Texto publicado no caderno Por Aí desta sexta, dia 26


Confiram o primeiro episódio da série de 64, em três partes:








Trailer do filme de 1991


quinta-feira, 25 de março de 2010

Mario no cinema?

Reggie Fils-Aime, da Nintendo of America, disse ao Los Angeles Times que Hollywood continua interessada em adaptar os jogos da empresa ao cinema - especialmente os de um certo encanador italiano.
Depois do filme lamentável de 1993, Mario, porém, não deve sair dos jogos eletrônicos tão cedo. "Procuram-nos o tempo todo, ao que respondemos 'obrigado pelo interesse'. Com algumas pessoas até conversamos um pouco mais a fundo, mas no final somos tão apaixonados pelos nossos produtos que cada vez fica mais difícil transportá-los para outras mídias. São nossos filhos", explicou Fils-Aime. (Site Omelete)

É, acho que vai demorar um tempo para ver Mario, Luigi e sua turma nas telonas mais uma vez. E é compreensível o medo dos executivos da Nintendo, pois se os quadrinhos demoraram a ter adaptações decentes, os games ainda têm um longo caminho a percorrer. Enquanto isso, divirtam-se aí com essa sátira do pessoal do Pânico na TV.

O Homem do Saco

Curta-metragem de 2006, com participação de José Mojica Marins. O Homem do saco é aquela figura, inventada pelos pais, do velho maltrapilho que capturava as crianças desobedientes, que ficavam na rua até tarde, não comiam direito ou davam respostas tortas. O filme tem um roteiro simples e funciona bem como apresentação do personagem e o que ele representa no imaginário infantil.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Papéis manchados de sangue

Facões e motosserras desmembrando várias partes do corpo humano, um livro maldito que ressuscita os mortos e os mais escabrosos pesadelos. Adicionem a essa sangrenta salada uns adolescentes idiotas, piadas sobre sexo e um fiapo de roteiro. Pronto. Está armado o cenário perfeito para o embate entre três dos maiores ícones do cinema de horror: Freddy Krueger, Jason Voorhees e Ash Williams. Imaginado originalmente como a continuação do filme que reunia os dois clássicos assassinos, a ideia, que inseria na trama o célebre protagonista de “Evil Dead”, não foi levada adiante por nenhum estúdio hollywoodiano e acabou por ganhar vida nas páginas dos quadrinhos.
Lançada em seis edições entre 2007 e 2008, a minissérie “Freddy vs. Jason vs. Ash”, escrita por James Kuhoric, com arte de Jason Craig e capas de J. Scott Campbell e Eric Powell, ainda não chegou ao Brasil, mas está disponível para download em alguns sites e blogs em uma versão traduzida (porcamente, diga-se, mas vale a pena mesmo assim). A história se passa cinco anos depois dos eventos do filme. Freddy sobrevive apenas dentro do subconsciente de Jason e pretende usar o Necronomicon, o livro dos mortos, para ter passe livre entre o mundo real e o dos sonhos. No meio disso, Ash é transferido no seu trabalho para Cristal Lake e começa a combater os vilões.
Existe um fato curioso que só quem é fanático pelas séries no cinema vai perceber. Afinal, por que diabos o Necronomicon está escondido na antiga casa de Jason? Puro oportunismo para unir os universos de cada personagem, pensarão alguns. Mas, puxando pela memória, no sexto filme de “Sexta-Feira 13” é feita uma referência ao livro que inferniza a vida de Ash. Embora explicada, a maneira como essa conexão é realizada soa como uma forçada de barra. Assim como muitos outros aspectos da minissérie. Em um dado momento, é nítido que o roteirista não sabia mais o que fazer para prolongar a narrativa e utiliza exatamente o mesmo recurso três vezes consecutivas.
O bom é que em um projeto trash sempre tem um detalhe que salva a pátria. Nesse caso, é a autoparódia. O fato de podermos rir de tudo o que já foi produzido antes faz com que a minissérie respire. Nesse ponto, a introdução é um primor. Os sobreviventes de “Freddy vs. Jason” retornam ao lugar onde quase foram mortos para... Serem mortos. E tudo fica ainda mais hilário com a narração em off, mostrando que a linha que separa o surreal da completa estupidez é muito tênue e que a opção da maioria dos roteiros pela segunda é frequente no gênero, além de, o que é pior, bem aceita por todos.
Quanto aos desenhos, um detalhe interessante: foi mantida a concepção de um Jason aterrorizante e um Freddy caricaturado. Isso é muito bem explorado, de uma forma que só nos quadrinhos se poderia criar. As lutas também são executadas com maestria, nada extravagante ou que nos deixe confusos sobre o que está acontecendo. Temos a noção exata do que está sendo mutilado e com o quê. Enfim, é um trabalho interessante, que tem seus defeitos, mas resgata nostalgicamente a trajetória dos três personagens, na base de sexo e violência. Só senti falta daquele cigarrinho de maconha nas mãos dos coadjuvantes fadados a morrer. Aí sim, a “viagem” estaria completa.

Texto publicado no Caderno Por Aí desta sexta, dia 19

Confiram aí essa animação legalzinha:



E vocês podem fazer o download da HQ
aqui

domingo, 14 de março de 2010

Radar Trash Recomenda: Bubba-Ho-Tep (Bubba Ho-Tep, Estados Unidos, 2002)


Um filme com uma premissa dessa não tem como dar errado: Elvis Presley não morreu. Nos dias de hoje, já envelhecido e escondido, ele vive em um asilo para idosos nos EUA. Logo, fica amigo de outro velhinho, que acredita ser John Kennedy, após uma lavagem cerebral. Mas, com um detalhe: ele é negro. Isso, segundo ele, por causa de uma conspiração da CIA. Tudo ia bem até que, no sótão do mesmo asilo, uma múmia ressuscita e começa a “sugar” a alma dos pobres habitantes da casa de repouso. Como as vítimas já são idosas, ninguém acredita na história e sobra para a inusitada dupla se livrar do monstro.

Genial, não ? Para melhorar, esta pérola foi dirigida pelo competente e subestimado Don Coscarelli, da série Fantasma. Elvis é interpretado pelo eterno “Ash”, de Evil Dead, Bruce Campbell e JFK, por Ossie Davis, em duas atuações hilárias. Só isso já chamaria a atenção, entretanto o filme é muito bom. Os diálogos são impagáveis e Bruce dá show como um Rei do Rock amargurado e doente.

Infelizmente, este pequeno grande filme, que custou apenas Um milhão e duzentos mil dólares, nunca foi lançado no Brasil. Uma pena, já que todos os meses somos bombardeados por grandes porcarias que chegam ao país. A única maneira é recorrer aos sites de torrent ou download direto. Vale cada kilobite baixado.


Cotação: Excelente

Trailer:


IMDB:
http://www.imdb.pt/title/tt0281686/

Terror interativo

Quantas vezes não ficamos agoniados com algum filme de suspense ou terror, dizendo para os personagens "não faz isso!", "Corre!!!", etc?

Pensando nisso, a produtora alemã 13th Street criou o filme "Last Call", onde a pobre mocinha em perigo liga o celular de um espectador da platéia, que deve ajudá-la a fugir das garras de um serial killer.



Antes do início da sessão, todos os espectadores informam seus números de celular. Em seguida, um software de computador escolhe um número aleatoriamente e reconhece comandos de voz simples, como "esquerda", "pra baixo" e direciona as cenas do filme de acordo com as escolhas do espectador. O filme pode até não ser lá grande coisa, mas a experiência deve ser no mínimo divertida.

Filmando com um scanner

Quer fazer um curta-metragem mas não tem filmadora? Não tem problema! Faça como o pessoal da Mindfruit Films e use o velho e bom scanner:


Memoirs of a Scanner (Martinibomb Version) from Damon Stea on Vimeo.



"Memórias de um Scanner" tem 1 minuto e 9 segundos de duração, mas conta com muita criatividade - até os créditos finais.

sexta-feira, 12 de março de 2010

A principal atração da noite

Um dia desses me dei conta de que ainda não havia assistido ao segmento de Quentin Tarantino no projeto Grindhouse, “À prova de morte”. O filme é de 2007 e até hoje não chegou a Belém em DVD e muito menos aos cinemas. Como uma viagem ao exterior ou uma cara importação estavam fora das possibilidades, o jeito foi dar aquela procurada básica na internet. Ah, e antes que me condenem por ter usado tal artifício, só digo que esperei três anos. Ninguém é de ferro. Dito e feito, hora da diversão.
E diversão é a palavra exata para definir tanto o trabalho de Tarantino quanto o de Robert Rodriguez, seu parceiro nessa empreitada, com “Planeta Terror”. As grindhouses, fenômeno norte-americano que se popularizou na década de 70, traziam as famosas sessões duplas com filmes bem podreiras, que exploravam à exaustão a violência e o sexo. Prato cheio, portanto, para o cinema de referências praticado pelos cineastas.
Ambas as partes conseguem retratar com perfeição o clima das aventuras baratas da época e capricham até nos defeitos, como os pedaços faltando, imagens fora de foco e riscadas, entre outros detalhes. No entanto, “À prova de morte” tem ao menos dois momentos que o colocam um degrau acima e o fazem, de fato, “a principal atração da noite”. O primeiro é a visão em quatro ângulos de uma colisão frontal entre dois carros. Simplesmente sensacional, a melhor cena do gênero a que já assisti, sem dúvida. A plasticidade é macabra, tem um quê de perversidade, típica de quem adora (como eu) produções como “Faces da morte”.
O segundo momento é a perseguição automobilística entre dois clássicos do passado: um Dodge Charger preto 1969 e um Dodge Challenger branco 1970, idêntico ao utilizado em “Corrida contra o destino”, uma das inspirações de Tarantino, frequentemente citado no filme. A grande sacada aqui, além de Zoe Bell, dublê de verdade, interpretando ela mesma e correndo perigo real no capô do carro durante a cena, foi filmá-la à moda antiga, sem qualquer tipo de computação gráfica. Fora o fato de provar que todos nós temos uma psicopatia enrustida. Se formos provocados ou a situação exigir, faremos de tudo para sobreviver. Puro instinto. A selvageria é mera consequência.
E se “Planeta Terror” traz participações impagáveis de Bruce Willis, Josh Brolin e do eterno Kyle Reese, Michael Biehh, Tarantino constrói em “À prova de morte” um personagem bem mais interessante e resgata um excelente ator do limbo, Kurt Russel, com seu Stuntman Mike. Engraçado que Kurt foi apenas a terceira opção para o papel, depois de Stallone e Mickey Rourke, mas não vejo como outro ator faria melhor. No mais, adicione um punhado de close-ups de pés e diálogos que exaltam a cultura pop... Voilà, temos uma obra tarantinesca por excelência.

* Texto publicado no Caderno Por Aí desta sexta, dia 12

A melhor cena de colisão da história do cinema:

sábado, 6 de março de 2010

Survival of Romero

Enquanto nós, cinéfilos desasistidos de Belém, ainda esperamos pela estreia de "Zombieland", já dá pra conferir o trailer do novo zombie movie de Romero: Survival of the Dead!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Enquanto He-Man não vem...

Enquanto o filme do He-Man é jogado de um estúdio para outro sem nunca acontecer nada de concreto, um fã fez um trailer muito bacana sobre o que ele espera ver na telona. Deem uma olhada:



Ah se o clima do filme de 1987 tivesse sido esse... E olha que eu acho que tanto o caricato do Dolph Lundgren, como o He-Man, quanto o Esqueleto do Frank Langella, mesmo sem a cara amarela e o tom sarcástico, ficaram bacanas (podem me apedrejar). Mas aquela imitação de Gorpo, a ausência de personagens fundamentais e a trama ridícula em si são determinantes para dizer que o filme é uma merda. Quer se torturar, então vê aí:

quinta-feira, 4 de março de 2010

Jogo do amor

Eu ainda não faço a menor idéia de quando vou me casar. Mas já sei como gostaria que fosse o convite do meu casamento: igual ao de Darina e Niko:



O convite é simplesmente um videogame. Você escolhe entre controlar o noivo ou a noiva, e precisa salvar o parceiro das garras de um gorila gigante. Qualquer semelhança com o jogo "Donkey Kong", onde o personagem Mario Bros apareceu pela primeira vez, não é mera coincidência.

Nirvana On Ice

O que aconteceria se, ao invés de vocalista do Nirvana, Kurt Cobain fizesse patinação artística?

Paysandu norte-americano

Momento esportivo no Radar Trash. Estava eu, assistindo aos gols dos amistosos internacionais de ontem, quando me deparo com este vídeo: Holanda x EUA.


Não, você não ouviu errado. O comentarista do Sportv compara o uniforme da seleção norte-americana ao do Paysandu.

Confesso que fiquei dividido. Feliz porque ainda lembram do "papão" na mídia nacional. Puto porque não sei onde conseguiram ver Paysandu naquela camisa...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Evil Dead de massinha

O filme de Sam Raimi é um clássico absoluto do terror trash: simples, tosco, criativo e impactante. E quem disse que uma cópia também não pode ser? Essa galera que apostou na versão resumida e em stop-motion do filme fez um trabalho de primeira. Confere aí:

Evil Dead done in 60 seconds with CLAY - 2010 from Lee Hardcastle on Vimeo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Seja seu próprio Frank Miller

A idéia é simples, mas bacana. No site: http://www.batmancomic.info/ você pode criar sua própria tirinha do Batman. Para isso, basta digitar as frases e pronto!. O negócio vicia e você ainda pode salvar suas versões, como as minhas abaixo:





sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O cavaleiro da paz e da justiça

Tem que abstrair. Essa é a regra para assistir às aventuras do primeiro super-herói japonês, National Kid. Lembrar do tempo em que éramos crianças, totalmente fissurados por Changeman, Jaspion e Jiraya, que nossos pais – que vibravam com o tokusatsu pioneiro – odiavam. Éramos facilmente enganados por truques baratos, montagens toscas e lutas coreografadas de forma, no mínimo, ridícula – e ainda ficávamos na frente da TV desferindo socos imaginários. As gerações mudam e o Japão se mantém firme no propósito de nos entreter com tais personagens.
É um programa de pura nostalgia, mesmo para quem, como eu, não tinha sequer nascido na época. Mas lembro bem de meu pai falando sobre o National Kid, enquanto eu assistia aos seus “filhotes”. E foi meu pai também quem me deu de presente de Natal o box do seriado em DVD. Eu escolhi e entreguei na mão dele - como antigamente -, que pegou, olhou, com aquele jeito de quem está puxando alguma coisa pela memória, e só soltou um clássico “égua!”. Pronto, agora vou ver o que fazia a cabeça da garotada dos anos 60.
Comecei a assistir na última terça-feira, quando estava de folga do trabalho. Fiz uma pequena maratona. Não deu pra terminar ainda, mas adiantei bem. São quatro DVDs com todas as sagas protagonizadas pelo herói. Já estou no terceiro, envolvido com a trama dos Seres Abissais, que considero bonzinhos comparados aos Incas Venusianos, que, realmente, fazem jus à fama de cruéis. Vamos ver se os monstros do Império Subterrâneo, que vêm logo a seguir, são adversários mais capazes.
A narrativa é bem simples: National Kid era um ser de outro planeta, que se escondia atrás de uma identidade secreta: o pacato professor Massao Hata. Ele estava sempre pronto para defender a terra dos monstros, fossem eles seres do espaço, do mar ou até mesmo das profundezas da Terra. Um detalhe: ele voava com os braços abertos, imitando as asas de um avião, ao contrário de outros heróis que possuíam esse tipo de poder.
São poucos extras na coleção, mas valem a pena pela raridade. Trata-se da dublagem original, feita pela AIC - São Paulo, que muitos consideravam perdida (houve uma redublagem nos anos 90). A qualidade de som e imagem não é das melhores, mas também já seria pedir muito. Além disso, tem um comentário do Paulo Gustavo Pereira sobre a série. Ele é o autor do livro “Almanaque dos Seriados” e escreve para a Sci-Fi News. O cara é uma bíblia dos pejorativamente chamados “enlatados”. É bom ver alguém discursar com propriedade sobre algo ligado à “cultura nerd”, tratá-la com o devido respeito, afinal, ninguém merece ficar nas mãos de intelectualóides.
Uma das coisas interessantes que descobri sobre National Kid é que o personagem foi concebido como um garoto-propaganda. Isso mesmo. A atual Panasonic era conhecida como National na época e lançou o programa para divulgar um rádio de pilha (!). Não é à toa, portanto, que a maneira como ele era invocado por quem estava em perigo se dava por meio de um radinho. Mas, se o conceito inicial era esse, a série se tornou algo muito maior, servindo de exemplo para várias outras produções que, igualmente, fizeram história.

* Publicado no Caderno Por Aí desta sexta, dia 29