quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mestres

Vincent Price e Christopher Lee. Dois mestres do horror. Só a expressão séria de ambos já provoca calafrios. Um tem uma gargalhada sinistra. O outro, um olhar assassino. Eles se completam. Quis o destino que fizessem aniversário na mesma data, dia 27 de maio, há exatamente uma semana. Provavelmente, era uma noite de lua cheia, com o uivo de lobos como trilha de fundo. Este seria o cenário perfeito, resumiria bem o que viriam a ser suas existências. E se não foi assim, quem liga? O que seria do mundo sem um pouco de ficção?
Price completaria 100 anos de idade se estivesse vivo. Ele passeou por vários gêneros, mas foi no cinema fantástico que seu trabalho ganhou mais destaque. Uma galeria de personagens excêntricos, atormentados, insanos... Ele tinha o dom de assustar. Nas telas, seus modos de lorde escondiam uma natureza maquiavélica e o perigo sempre rondava quem dele se aproximava. Quando a sua expressão sombria surgia, dissipando a névoa, o cheiro de morte podia ser sentido.
Exceção à regra, Price recebeu diversas homenagens ainda em vida. Além de prêmios, todos voltados para o terror e a fantasia, obras no cinema. Só Tim Burton o presenteou – e aos fãs também, claro – com duas produções: um curta-metragem divertidíssimo, “Vincent”, sobre um menino que gostaria de ser Vincent Price; e uma deliciosa participação em “Edward – Mãos de Tesoura”, como o “pai” do protagonista, um cientista louco (seu último trabalho).
Apesar de Price contar com uma filmografia extensa e de qualidade, não me furto em apontar meus favoritos: “O abominável doutor Phibes”, “Museu de Cera”, “A casa dos maus espíritos” e “O túmulo sinistro”. Incluo aqui também uma participação memorável do ator em um episódio do Muppett Show. É impressionante com ele incorporava o estereótipo do ator de filmes de terror, uma autoparódia sensacional. Só posso dizer que Caco, Pig e companhia passaram por maus bocados.
Já Christopher Lee está mais ativo do que nunca, envolvido em diversas produções. De uns tempos pra cá, ele, que em minha opinião foi a encarnação mais assustadora do Conde Drácula, foi redescoberto por cineastas que passaram a adolescência vendo os seus filmes. Tornou-se cult. Tem Star Wars e O Senhor dos Anéis no currículo. Antes, foi até vilão em James Bond – um dos melhores, diga-se de passagem. Ano que vem, completa 90 anos. Vida longa a ele.
No dia 27, para celebrar a data, assisti “O ataúde do morto-vivo”, em que ambos atuam. Vê-los juntos em cena é algo sublime. O filme emana uma aura de puro terror. É um bom começo para quem deseja se iniciar na vasta obra desses mestres. Lembrando que conhecê-los é uma obrigação para quem ama o cinema. Caso contrário, do mesmo modo que “Vincent”, citando Edgar Allan Poe, você estará destinado às trevas: “... E a minha alma para fora dessa sombra que flutua sobre o chão não se levantará nunca mais”.


Tributo a Vincent Price




Vincent (Curta de Tim Burton, narrado pelo próprio Price)



Cenas de Lee como Drácula