domingo, 9 de outubro de 2011

Death Valley

Séries que mostram a rotina do trabalho policial não faltam na televisão. Cops, Lei e Ordem e CSI são alguns dos principais representantes do gênero, que é garantia de sucesso nos EUA há décadas. Apesar de reconhecer a extrema capacidade de reciclagem dos temas abordados nesses programas, admito não ser fã dos mesmos, justamente por conta desse ciclo interminável, da falta de um fio condutor na narrativa. É simplesmente episódico, do tipo assista um hoje e outro daqui a vários meses que você não vai boiar na história.
Uma série que inovou nesse aspecto nos últimos anos e ganhou meu respeito foi Dexter, que investiu nos personagens em vez de se limitar a resolver casos, tornando-se bem mais complexa que outros produtos similares. Afinal, o grau de dramaticidade aumenta a partir do nosso envolvimento, nossa preocupação com o destino das pessoas ali presentes. E foi por esse caminho que a MTV resolveu seguir quando decidiu realizar sua própria série com esse tema, Death Valley, cuja primeira temporada está em exibição.
A diferença é que a MTV optou também por dificultar as coisas para seus “heróis”. Em vez de bandidos normais, os policiais têm que lidar com hordas sanguinárias de zumbis, vampiros e lobisomens. A UTF (Undead Task Force) é a unidade responsável por conter, “educar” e, se for o caso (90% das vezes), eliminar as criaturas que invadiram a região de San Fernando Valley um ano antes. As histórias dos integrantes vão sendo reveladas aos poucos, assim como a interação entre os parceiros de combate aos mortos-vivos, numa dinâmica bem interessante, já que todos os seus passos são acompanhados pelas câmeras de uma rede de televisão, em um esquema de “falso documentário”.
Embora o sangue jorre em grandes proporções, em inúmeras cenas que nos fazem pular do sofá ou roer as unhas de tensão, Death Valley é basicamente uma comédia. De humor negro, claro, mas, ainda assim, uma comédia. Não tem como levá-la a sério. Os episódios duram, em média, vinte minutos e a diversão é garantida, até porque existem “n” possibilidades que podem ser trabalhadas nos roteiros, pois trata-se de fantasia, compromisso zero com a realidade obrigatória das séries policiais tradicionais.
A destacar também o belo trabalho de maquiagem dos monstros. São criações inspiradas. E tinham que ser mesmo, já que não houve, digamos assim, um apocalipse. O mundo como conhecemos não acabou e o resultado é que a presença desses seres não está envolta em trevas, eles não surgem em rápidas aparições, que mal nos deixam observar suas formas e características. Eles dividem o espaço com os humanos e, assim, têm que parecer críveis aos olhos do espectador.
Enfim, com essa mistura de humor inteligente e horror gore embalado em um formato policialesco consagrado na TV norte-americana, não tenho como não considerar Death Valley um sopro de criatividade no universo dos mortos-vivos, explorado à exaustão ano após ano, mas com poucas obras que realmente se destaquem. Veremos se a qualidade se mantém e a série garante uma nova temporada. Até agora, merece.

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