sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Vampiros que brilham e outras patetices

Estreia em número recorde de salas de cinema no Brasil o filme Amanhecer, o quarto da “saga” Crepúsculo. Algo inversamente proporcional à qualidade dessas adaptações. Mas o sucesso de público não chega a ser incompreensível. Os fãs da série são os mais xiitas que surgiram na última década. Não admitem críticas, defendem o produto de sua adoração com unhas e dentes. Mas ainda não encontrei um que não seja uma adolescente suspirando pelos cantos por causa do “vampiro” e do “lobisomem”. Menos mal. Elas vão crescer e ver como esse comportamento é ridículo.
Até porque, elas, com certeza, não conhecem os vampiros e lobisomens de verdade. Os de Crepúsculo são uma afronta ao gênero do terror. Vampiros que brilham no sol, que passam a eternidade em escolas... Não dá pra engolir. Uma coisa é criar um mundo de fantasia, como Harry Potter, por exemplo, que não raro é comparado (injustamente, já que está a anos-luz em qualidade da trama de Stephanie Meyer) com Crepúsculo. Outra é se apropriar de elementos consagrados – artifício teoricamente mais fácil – e criar algo tosco, ruim, desrespeitando toda a mitologia que envolve os seres sobrenaturais.
E antes que me acusem de detonar Crepúsculo por este ser “um romance e não terror”, argumento que já escutei diversas vezes, assistam “Drácula”, do Coppola. Aquilo, sim, é um romance. E mesmo fora do horror, muitas comédias, por exemplo, tratam esses ícones com mais propriedade do que Crepúsculo. E nem venham também com a história de que a protagonista é um exemplo de superação feminina, que ela conduz a narrativa, ao contrário dos clássicos. A vocês, digo: a Bella (sim, sei o nome) é uma abestalhada, que espera tudo acontecer. Vai contra todos os ideais de feminismo.
Talvez até por isso haja tanta identificação. Ela, apesar de ser uma mulher feita, age como uma adolescente boba e imatura. Acho que se rolasse um papo entre a Bella e suas fãs do mundo real, o assunto não passaria de Hanna Montana e similares. Quem sabe até resolvam juntas um teste de revistas tipo Capricho ou Querida. Daqui a alguns anos, quem sabe, poderão falar sobre cinema. Mas falta muito pra isso.

4 comentários:

Thaynná disse...

Ok, li ai em cima que o Amanhecer seria uma 'afronta' ao gênero de terror, posso dizer que eu sou muito fã de ambos os gêneros e não vejo problema na diferença, tanto que nunca foi dito que a saga seria baseada no 'terror' em si e por mais que você discorde, eu acho um argumento plausível. Cada um gosta do que quer gostar. Não estou aqui defendendo meu lado fã, mas sim o lado ético, que nesse caso é respeito. Ah, só pra constar, eu já assisti Drácula e é um ótimo filme.

Carlos Eduardo Vilaça disse...

Primeiro que Crepúsculo não é saga (me recuso a dar o mesmo tratamento do que O Poderoso Chefão, por exemplo), por isso coloco entre aspas. E a afronta ao gênero não é especificamente sobre Amanhecer, é em relação a usar a mitologia de vampiros e lobisomens para a construção de um filme debilóide, sem o mínimo de estrutura narrativa coerente. Eu, se fosse adolescente, e me dissessem que este era uma filme "para adolescentes" eu ia ficar muito enraivecido. Não posso respeitar uma obra (e estou falando da série como um todo, não vi o último filme, nem pretendo fazer isso comigo) que não mostra respeito pelo seu público, que agrida a minha inteligência, sinto muito. E lógico, você e todas as fãs têm sim o direito de gostar do que quiser, óbvio. Eu também gosto de filmes que sei que são ruins. mas tenho a noção disso. São os prazeres culpados. Inclusive já escrevi sobre isso. O problema é fazer como uma garota disse no Twitter: "Uivei loucamente, o Jacob é lindo e o filme é perfeito". Esse tipo de opinião "cinematográfica" eu dispenso.

PS: Que bom que assistiu Drácula e gostou. E ele não é terror, é romance...

Thaynná disse...

Entendi seu ponto de vista. Mas como já disse, eu gosto muito de filmes de terror, principalmente os clássicos e sei que a história sobre vampiros criada pela Stephanie vai totalmente contra à essa 'mitologia', porém não acho que isso tenha mudado a visão já criada antes, assim, vampiros que brilham no sol serão somente os de Crepúsculo.
Como eu li os livros bem antes de saírem os filmes, talvez tenha pesado no fato de virar fã.
Enfim, o que ficou mal interpretado (ou não) no seu texto é o fato de você ter generalizado dizendo que 'todas as fãs vão ver que esse comportamento é ridículo' e que se 'se juntassem com a Bella conversariam sobre Hanna Montana e afins', o que de fato não é verdade. Eu, por exemplo, sei que não são os melhores filmes que vi na vida, porém não acho que seja uma porcaria total, está totalmente ligado aos livros, era o que os fãs esperavam.

Carlos Eduardo Vilaça disse...

Ok, sobre o fato de ser um "vampiro" de Crepúsculo apenas, isso não existe. Simplesmente não é um vampiro, não pode ser enquadrado nessa categoria, pois há uma descaracterização total do personagem, mesmo sendo ele fictício. Variações, sim; mas não é o caso aqui, a autora criou outro ser sobrenatural, que pelo menos nomeasse de forma diferente para não trair mais de 100 anos de história.
Sobre a segunda parte, eu realmente generalizei e, desculpa, você parece ser a exceção que confirma a regra. Como eu disse antes, curto muito alguns filmes ruins, não tenho defesa pra eles, cinematograficamente falando. Então, o que me incomoda é alguém dizer que se trata de um filme perfeito com "argumentos" como os que recebi dos fãs de Crepúsculo (Edward é lindo, Jacob é gostoso, você é feio, idiota). Não, um instante: os filmes são ruins (os que vi), com uma trama absurdamente repetitiva (morde, não morde...) e moralista, e interpretações pedestres (os atores devem sofrer algum tipo de dislexia). Lógico, não é a pior coisa do mundo, concordo com você, mas está longe de ser imune a críticas e não aceitar isso é ser xiita.