segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O mundo virou um ringue entre humanos e zumbis





Quando o personagem Jack fechou os olhos em Lost, em 2010, houve uma corrida na TV americana. Os produtores queriam, na marra, criar logo uma série que preenchesse a lacuna da história sobre a ilha misteriosa como fenômeno de mídia: Lost fez muito sucesso tanto na TV quanto na internet, gerando inúmeros sites, blogs e fóruns de discussões sobre seus mistérios e reviravoltas dos roteiros. A geração de fãs da história cresceu na medida em que os rumos da convergência entre as mídias mudaram. A cada final de episódio, os “lostmaniacos” corriam para a internet para compartilhar impressões e comentar tudo o que houve naquela hora.

É claro que muita besteira foi posta ao ar nessa vã tentativa: séries como The Event, Flash Forward, V e Alcatraz eram criadas e canceladas em escala industrial. Histórias rasas e sem empolgação afastaram o público. Outras até que conseguiram ser excelentes, porém sem muita gente disposta a assistir - como Fringe (que merece uma nova chance, por sinal).

E foi preciso um senhor vir do cinema, com uma coleção de quadrinhos debaixo do braço pra dar um novo alento a este quadro. Sorte da emissora AMC, que comprou a ideia do cineasta Frank Darabont de adaptar The Walking Dead para a TV. Darabont já tinha experiência em adaptações para a tela grande, que foram premiadas e aplaudidas pela crítica, como À Espera de Um Milagre, O Nevoeiro e, principalmente, Um Sonho de Liberdade.

O que fez Darabont se apaixonar pela história em quadrinhos de Robert Kirkman (até então apenas conhecido pela série Marvel Zombies), foi sua capacidade de angustiar e surpreender o leitor com um tema já batido: O apocalipse Zumbi.
Série transporta para a TV o que há de melhor na versão em quadrinhos

Cheia de referência de outras histórias de zumbis como Extermínio (já copiada descaradamente na sua sequência inicial), A Volta dos Mortos Vivos e, claro, da filmografia do pai dos mortos, George Romero, Darabont deu o pontapé inicial da série e Kirkman se tornou um dos produtores. Após uma briga, o diretor demitiu roteiristas e depois deixou a série, deixando o abacaxi nas mãos de outro produtor experiente; Glenn Mazzara (The Shield). Essa troca fez alguns estragos no andamento da história na 2ª temporada, mas Mazzara recupera-se bem na terceira.


OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

Espertamente, a série apresenta o que de melhor tem na arte sequencial e acrescenta novos ingredientes, inclusive mudando rumos do enredo. Personagens morrem mais cedo e outros são criados. Alguns já são os preferidos dos fãs, como Daryl Dixon. Mas o terror sobre o que ainda pode acontecer permanece. E talvez seja isso que esteja atraindo tantos fãs. Ninguém está a salvo, nem mesmo as crianças.

Enquanto a primeira temporada foi de atenção ao mundo trágico e novo, a segunda trouxe uma ilusória sensação de paz na fazenda, até a destruição da esperança na frase de Rick: “Isto não é uma democracia”. A terceira traz uma nova e simbólica fase: dentro de uma prisão, uma analogia semiótica à situação-limite que todos vivem. Além disso, teremos um novo terror à espreita: o Governador. Quem leu os quadrinhos sabe o que isso significa. Quem não leu, não perde por esperar. Aliás, vai perder sim: um pouco do sono. Boas histórias de terror geram sensação de desconforto com os créditos finais. Walking Dead vem cumprindo isso à risca, e com louvor.

(Texto meu publicado no Diário do Pará do dia 18/11/2012 -  Caderno Você)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

199 filmes de terror no Youtube


Algum corajoso pôs no Youtube 199 filmes para assistir, completos, em streaming. Se você conhece inglês, tem coisas boas e algumas raridades.




Acesse e aproveite: aqui


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Filmes que vocês precisam conhecer I


Cubo (Cube, 1997)

Cubo é um filme canadense que mostra um grupo de pessoas, incluindo um policial, um autista, uma matemática, um fugitivo, uma psicóloga e um arquiteto que acordam presos em um labirinto em forma de cubo, onde cada sala tem seis saídas, sendo que apenas uma é verdadeira. As outras cinco escondem armadilhas fatais.

Dirigido por Vicenzo Natali (de Splicer – a Nova Espécie), o filme é tenso e tem uma narrativa bem construída, com enigmas que vão aparecendo ao longo da história, tornando a experiência cada vez mais angustiante, também tratando da relação conflituosa entre pessoas diferentes que dividem o mesmo espaço. Saibam que muitos dos conceitos aqui mostrados foram copiados na tola série Jogos Mortais. Atenção ainda para a cena inicial, descaradamente copiada por Paul W. Anderson em Resident Evil (aquela em que o soldado é feito picadinho por feixes de lasers quadrados).

O filme teve duas continuações Cubo 2: Hipercubo e Cubo: Origem, que são muito ruins e não valem nem os minutos gastos com essas bombas. Passe longe.





 Trailer:


A cena inicial: 


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os últimos grandes heróis

“Nós devíamos estar em um museu”. A sentença proferida em tom sarcástico por um enrugado Schwarzenegger resume bem o clima de Os Mercenários 2. Por trás dessas palavras está a constatação de que tudo ali é uma grande brincadeira entre amigos. Amigos que escreveram a história do cinema de ação norte-americano e se reuniram para brindar o passado, dar boas risadas e faturar uma graninha com a nostalgia daqueles que cresceram vendo-os empunhar suas armas diante de um exército inteiro, trucidá-los e escapar quase sem nenhum arranhão.
E é uma grana bem gasta. O anfitrião Stallone e seus convidados dão exatamente o que o público espera: frases de efeito, explosões e muito quebra-pau. A trama é aquele lugar-comum da missão em um país distante, onde existe um ditador ou um grupo militar que dá as cartas, oprimindo os pacatos moradores, e que será combatido pelos nossos heróis. Algo bem diferente dos Bournes da vida, com seus roteiros intrincados e reviravoltas que instigam o espectador. A aposta aqui é na simplicidade, no básico e, por que não, no maniqueísmo que marcou a geração oitentista. Um exemplo? O nome do vilão é... Vilain. Sensacional.
Mas o diferencial é mesmo a reunião dos maiores astros do gênero na linha de frente da batalha. E nesse aspecto o primeiro longa-metragem pode ser considerado um teaser, já que trouxe Schwarzenegger, Stallone e Willis apenas batendo um papo. Aqui não. Vê-los lado a lado se protegendo da saraivada de tiros atrás de uma coluna é de empolgar, fazer vibrar todos que vivenciaram o auge do trio. Ainda mais com a constante referência a seus icônicos personagens em diálogos afiados com um bom humor contagiante.
Os demais atores também têm seus momentos para brilhar, principalmente Dolph Lundgren e Jason Statham. Além, é claro, de Van Damme, que percebeu a burrada que fez ao não aceitar participar do primeiro filme e deu o sim ao projeto. Ele mostrou estar muito bem, distribuindo voadoras nos mocinhos. Por falar nisso, além de “Retroceder nunca, render-se jamais”, o ator fez outro vilão por aí ou só mais esse? Não lembro. Pelo menos a cara de mau ficou mais convincente. As marcas do tempo ajudaram. Mas nada me tira da cabeça que ser o vilão foi o seu castigo pela birra anterior. Stallone não ia deixar ele ganhar a briga assim fácil.
Mas deixei o melhor para o final. Ele, o homem, o mito... Chuck Norris. A sala de cinema irrompeu em aplausos na entrada do ator em cena. O ingresso estava pago. Nunca havia assistido a nada dele na tela grande, mas jamais me esqueci das horas de divertimento nas inúmeras sessões do Domingo Maior e Corujões. Lembro até que meu irmão tinha algumas fitas VHS de filmes como Braddock e da série Texas Ranger, onde Norris pavimentava a sua lenda com uma sequência de roundhouse kicks a cada frame. Vê-lo, portanto, salvar o dia e, ao mesmo tempo, brincar com o Chuck Norris Facts, é simplesmente fantástico. Um sonho realizado.
Em alguns momentos da sessão, parecia um menino vendo seus ídolos e dando socos no ar, em uma luta imaginária. E sei que não fui o único a me sentir desse jeito. Assim como eu, várias pessoas já pensam em uma terceira parte do filme, com mais ícones da ação (só não inventem de colocar gente do MMA – Randy Couture já basta, é uma negação). Ainda faltam entrar na bagaça nomes como Kurt Russel e Steven Seagal. Ah se Charles Bronson estivesse vivo...


sábado, 8 de setembro de 2012

Está chegando a hora!





A 3ª temporada de The Walking Dead terá 16 episódios e estreia dia 14 de outubro, na AMC. No Brasil, é transmitida pelo Canal Fox. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

The Wire (2002 – 2008)


The Wire é simplesmente a melhor série de televisão já feita. Aqui, a HBO atingiu um nível de maturidade jamais vista em um seriado na história da TV americana. E olha que estamos falando de uma emissora que já fez Família Soprano e Boardwalk Empire.  Mas, aqui, o canal conseguiu concentrar todas as qualidades que fazem um bom programa em um só: bons roteiros, atores magnifícos (destaque para Michael K. Williams como Omar e Andre Royo, o Bubbles), diretores experientes e uma produção que conseguiu transmitir toda a atmosfera escura da cidade de Baltimore (considerada uma das mais violentas dos EUA), para as telas.

A história parte de uma investigação policial utilizando escutas para monitorar traficantes de drogas que dominam bairros pobres da cidade. Porém, a série dá vazão para diferentes personagens e pontos de vistas, para enfocar os bastidores sujos das negociatas entre os poderes legislativo, executivo e judiciário. Todos os núcleos de personagens são importantes para a história e o roteiro de cada temporada sempre acaba amarrando as histórias de maneira fantástica.

A série durou cinco temporadas, variando entre 12 e 10 episódios de uma hora, e as músicas de abertura são sempre versões de Down In a Hole, do Tom Waits. A primeira, terceira e quarta se focou no esquema de tráfico de drogas, enquanto a segunda falou principalmente dos esquemas envolvendo estivadores. Já na quinta, o foco foi nos bastidores de um jornal impresso.

Série imperdível.




Curtam um pouco da série e baixem. Acreditem, vocês não vão se arrepender


Aqui, uma boa cena que mostra o jornalismo atual na quinta temporada da série:


domingo, 2 de setembro de 2012

Filmes de terror para quem não gosta de filmes de terror V


Possuídos  (Fallen, 1998)

Em 2001, Denzel Washington estrelou este bom suspense sobrenatural, que com poucos efeitos e um elenco excelente, consegue gerar tensão e medo. O diretor Gregory Hoblit cria uma atmosfera crescente de medo com um roteiro até bem simples. Washington é um policial responsável por prender e levar para a cadeira elétrica um serial killer que promete vingança. Pouco depois, o criminoso volta como um espirito de vingança, Azazel, capaz de se apossar das pessoas e se transferir de corpos com apenas um toque.

Sem maquiagens e efeitos especiais sofisticados (afinal, a ameaça está nas próprias pessoas), o filme é inteligente por retirar suspense de cenas aparentemente banais e do fato dos personagens não saberem onde está e quem é a ameaça. Destaque para a cena que o policial é confrontado em círculo, pelas pessoas andando em volta, com o espirito trocando um por um no toque e na perseguição da especialista em plena rua movimentação, onde o mau vai passando sem precisar correr. O roteiro ainda é inteligente ainda em dar uma característica peculiar ao “mal”: sempre que aparece, canta ou assovia a música “Time is on My Side”, do Rolling Stones.

Como se não bastasse, o filme ainda tem um final inesperado e surpreendente, onde todos os elementos vistos ao longo do filme (como a narração em off, os animais e até um veneno), se concentram e dão um sentido trágico à experiência. Destaque ainda para o elenco, formado ainda por veteranos, como Embeth Davidtz, Donald Shuterland, John Goodman e Elias Koteas. 







O trailer:

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Filmes de terror para quem não gosta de filmes de terror IV


Screamers – Assassinos Cibernéticos (Screamers – 1995)

Eis aqui uma pequena pérola de ficção científica de horror esquecida nas prateleiras das antigas videolocadoras e que até hoje permanece esquecida, mas que merece pelo menos um conferida. Não que seja um clássico a lá Alien, não. Mas, tem suas qualidades. A começar, pelo cast: o roteiro é de Dan O’Bannon, roteirista e técnico de efeitos especiais que criou clássicos como o próprio Alien e A Volta dos Mortos Vivos (homenageamos ele aqui ). Ou seja, mora nos nossos corações. E o ator principal é Peter Weller (olhem para a cara dele.. Lembraram?. Pois é... Robocop em pessoa).

Enfim, o diretor desconhecido Christian Duguay criou um filme mediano baseado em conto de Philip K. Dick, autor de contos que originaram Blade Runner e O Homem Duplo.  O roteiro pegou o conto de Dick e transformou em uma mistura de Alien e Enigma do Outro Mundo. Se ficou bom?. Bem, o diretor é ruim, o elenco é ruim (salvo Weller, lógico), os efeitos especiais mais ou menos, e o roteiro é cheio de clichês e uma droga. Mas, mesmo assim eu gosto. Pelo clima de suspense e de terror que vai tomando os personagens quando descobrem as espécies de androides assassinos que vão surgindo (os screamers do título são assustadores). Mas, nada que vá fazer você roer as runhas. Mas que é divertido é. Assista e tire suas próprias conclusões.







Confira o trailer:

sábado, 25 de agosto de 2012

O primeiro trash a gente nunca esquece


É uma das minhas primeiras lembranças cinematográficas. Levado pelo meu avô João, assisti a Mestres do Universo ali no Cine Iracema, que depois virou Nazaré 2 e que hoje, infelizmente, deu lugar a uma Lojas Americanas. Época boa a dos cinemas de rua. Mas isso é tema para uma outra história. O que quero dizer é que, desde cedo, o trash fez parte da minha vida. Afinal, não tenho dúvidas de que ver o canastrão do Dolph Lundgren como He-Man, aos quatro anos de idade, teve papel fundamental na construção do meu gosto por essas pérolas “B” da sétima arte.
Não que Mestres do Universo mereça a classificação de “pérola” (cult muito menos, por favor), a não ser por um sentido pejorativo, pois o filme é muito ruim. Uma afronta ao cinema e aos fãs do personagem. Só o que vale é minha ligação sentimental mesmo: o primeiro trash a gente nunca esquece. Além disso, o que motivou esse texto foi o aniversário de 25 anos da produção dirigida por Gary Goddard, “comemorado” na última terça-feira (21). Um longo tempo durante o qual sempre se especulou uma continuação ou um recomeço para a história, que nunca saiu do papel, fazendo com que o famoso “Eu voltarei”, promessa/ameaça do vilão Esqueleto, no fim do filme de 1987, soasse como papo de candidato em período eleitoral.
Sobre o filme: nada de Gorpo – mas tinha um anãozinho inventor muito feio lá pra tapar esse buraco causado pela falta de grana para os efeitos especiais; nada de Gato Guerreiro e Príncipe Adam também. Descaracterização absoluta. É incrível como os responsáveis conseguiram desperdiçar toda uma leva de bons personagens que fazia parte do desenho, originalmente, para criar outros totalmente desinteressantes e sem função para a narrativa. Para fechar com chave de ouro, a trama bobinha se passa na Terra, acredito que só para ter aquelas cenas engraçadinhas de “choque cultural” entre He-Man, Teela, Mentor e um casal de adolescentes irritantes.
Nesse ponto, para se ter uma ideia, o filme guarda certa semelhança com Comando Suburbano, outra terrível produção - “estrelada” pelo ex-astro de luta livre Hulk Hogan - que a minha memória seletiva para besteira guarda em um cantinho por aqui. Um ser do futuro ou de outra galáxia passa a conviver com os terráqueos e desenvolve grande afeição por eles, salvando-os do seu arqui-inimigo que veio ao planeta causar destruição. Esse era o mote de vários “filmes-podreira” de ficção científica na década de 1980.
Voltando especificamente a Mestres do Universo, o Esqueleto foi a única coisa que se salvou no filme, mesmo ele tendo a cara branca e não amarela. Mérito do Frank Langella, claro, um ator de mão cheia rodeado por um mar de mediocridade. Ele não fez o vilão divertido como nos desenhos, apostou numa abordagem mais séria e assustadora (na medida do possível) e convenceu. Só  o que estragou foi o visual do “Super Esqueleto” na reta final, quando o personagem também embarcou no ridículo que dominava a película. Ah, sem contar que a ideia de ele conquistar o Castelo de Grayskull como ponto de partida para a ação é fora de propósito. Lembram da clássica pergunta das provas de biologia: “Qual a função do Esqueleto?”. Resposta: “Vencer o He-Man e conquistar o Castelo de Grayskull”. Não inventem. A história é forte por si só, bastava um bom roteiro.
E já que falei no Castelo, o que era aquilo? O que era para ser um lugar misterioso, sombrio, cheio de segredos por detrás das suas muitas portas, virou um carro alegórico, envolto em um dourado suntuoso. Quem idealizou o cenário nunca viu o desenho, só pode. Para finalizar, como já falamos que extirparam o príncipe Adam, o “Pelos poderes de Grayskull. Eu tenho a força” perdeu todo o sentido: sem transformação, é apenas um grito, um exercício de voz narcisístico, por assim dizer. E poderia listar outros mil defeitos, mas vocês já entenderam. O problema é que, se Mestres do Universo passar numa Sessão da Tarde da vida, vou resmungar do início ao fim, mas assistirei, claro. O que eu posso fazer? Foi meu primeiro trash e meu coração cinematográfico é vagabundo.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Horror Pixelizado

Site com gifs animados pixelizados com temas surreais de horror. Simplesmente brilhante.

Vocês podem conferir o site do artista, Uno Moralez aqui: unomoralez.com/ 





Tem mais gifs de terror aqui: radartrash.blogspot.com.br/2012/06/gifs-de-terror.html

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

163 filmes de horror em 2 minutos e meio


O crítico de cinema Roger Ebert publicou em seu site um vídeo que mostra 163 filmes de horror  em 2 minutos e meio. O resultado você confere abaixo. Tentem adivinhar seus favoritos:


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Filmes de Terror para quem não gosta de filmes de Terror III



Eles Vivem (They Live, 1988)

Quem disse que um bom terror B também não pode ser divertido? Mestre John Carpenter sempre esteve ai dirigindo bons filmes para mostrar isso. E com esta pérola dos divertidos anos 80, é que ele consegue o máximo da tosqueira divertida no cinema. Além da história divertida, a maquiagem, as atuações canastronas  e os efeitos especiais ruins só aumentam o coeficiente de diversão.

Eles Vivem conta a história de um desempregado que chega a cidade grande, arranja bicos e vive como sem teto, que acha um óculos especial que permite ver a verdade: existem milhares de alienígenas feiosos disfarçados entre os humanos que usam de propaganda subliminar para fazer a dominação mundial. Pronto. Com poucos recursos e muita criatividade, Carpenter cria uma parábola divertida da nossa sociedade.

Atentem para a atuação propositalmente forçada de Roddy Piper, ex-campeão de Luta Livre nos EUA, para a maquiagem absurda dos aliens e para as frases geniais do filme. Minha preferida: “Vim aqui para mascar chicletes e chutar bundas. E acabaram meus chicletes”. Sensacional.






Eis o trailer original desta pérola: 

domingo, 19 de agosto de 2012

Filmes de Terror para quem não gosta de Filmes de Terror 2


Todo Mundo Quase Morto (Shaun of The Dead, 2004)

Continuando a série, é claro que teríamos que ter um exemplar de filmes de Zumbi, gênero preferido do blog. Esta sensacional comédia inglesa foi lançada sem muito alarde em 2004, mas conquistou muitos fãs em todos os lugares do mundo, inclusive no Brasil e jogou para o estrelato os atores Simon Pegg e Nick Frost e o diretor Edgar Wright (Wright dirigiu ainda a adaptação de Scott Pilgrim Contra o Mundo e deve dirigir a aventura da Marvel, Homem Formiga). O trio também esteve junto em outra comédia sensacional: Chumbo Grosso, sátira dos filmes policiais.

Com humor afiado, típico dos ingleses, Shaun of The Dead (que ganhou um nome extremamente idiota no Brasil), surpreende por unir comédia com o melhor dos filmes de horror, inclusive com algum gore. Mas, não se preocupe. Nesses momentos, você já vai estar tão envolvido com o clima do filme que nem vai sentir medo.

Nick Frost e Simon Pegg, além de Shaun Of The DEad e Chumbo Grosso, também fizeram juntos outro filme legal que já falamos por aqui: http://radartrash.blogspot.com.br/2012/07/paul-o-alien-fugitivo.html

Nick também estrelou, junto com Wright na produção, um dos melhores filmes de 2011: Ataque The Block, que também comentamos aqui: http://radartrash.blogspot.com.br/2011/12/attack-block.html

Gostou? Tem outra boa comédia inglesa de zumbi que postamos aqui, ó: http://radartrash.blogspot.com.br/2010/12/aliens-malvados-e-zumbis-de-tpm.html




Confira o Trailer

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Filmes de Terror para quem não gosta de Filmes de Terror


Nos próximos posts, daremos boas dicas de bons filmes de terror (ou quase), feitos para quem tem pavor de monstros, assassinos e sangue e não consegue dormir a noite após uma sessão cinematográfica de horror:


Aracnofobia (Arachnophobia 1990)
Diretor: 
Com:

Filme clássico dirigido por Frank Marshall e produzido por Steve Spielberg, Aracnofobia passou até na Sessão da Tarde e conta a história de um médico (Jeff Daniels) da cidade que chega com a família para morar no interior dos Estados Unidos e acaba dando de cara com uma infestação de aranhas venenosas assassinas da América do Sul que vieram parar na cidade por acidente.
O filme tem bons sustos e tem tiradas divertidas. Só não é indicado para quem possui medo de aranhas, a Aracnofobia do título. Atenção para a divertida participação de John Goodman como um dedetizador.
Aracnofobia marca a estréia de Frank Marshall (http://www.imdb.com/name/nm0550881/) como Diretor, mas ele foi produtor de uma penca de filmes do parceiro Spielberg e Kathleen Kennedy.








terça-feira, 14 de agosto de 2012

Joe Kubert (1926-2012)

Homenagem a um dos maiores quadrinhistas do Mundo: Joe Kubert.









Joe Kubert (18 de setembro de 1926, Polônia - 12 de agosto de 2012) foi um desenhista das histórias em quadrinhos americanas que fundou a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art.
Ele é reconhecido por seu trabalho na DC Comics, pelos títulos Tarzan, Sgt. Rock eHawkman (Gavião Negro, no Brasil). Seus filhos, Andy Kubert e Adam Kubert, tornaram-se também desenhistas de HQs de sucesso.
As mais conhecidas criações de Kubert incluem as séries Tor, Son of Sinbad, eViking Prince e, com o escritor Robin Moore, a tira de quadrinhos Tales of the Green Beret.
Em 1976 fundou a The Joe Kubert School of Cartooning and Graphics, renomada escola de arte e histórias em quadrinhos dos Estados Unidos.

Kubert também foi o primeiro norte-americano a desenha uma história de Tex, com a história "Os Quatro Assassinos", que no Brasil foi publicado pela Mythos Editora em Abril de 2002 na revista Tex Gigante 9.
Fonte: Wikipedia

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Batman

Filmes que adaptam histórias em quadrinhos não costumam ter meio termo na sua relação com o espectador/fã: é amor ou ódio. E a fidelidade ao material de origem é mais importante do que os aspectos cinematográficos. Não deveria ser assim. Primeiro porque a própria mídia, a chamada nona arte, tem na reinvenção dos seus personagens uma fonte de poder. Ao longo do tempo, universos são criados e explorados da forma que o artista responsável ache mais conveniente. Acabou aquele arco dramático? Põe-se um ponto final e vida que segue. Uma nova história, que pode ou não levar em consideração eventos anteriores, se apresenta. 
Nas telas, apenas a trilogia X-Men havia utilizado esse conceito, sem medo de matar personagens clássicos, por exemplo, e conduzir uma narrativa com princípio, meio e fim, sem o caráter episódico que marcava até então os filmes do gênero. É aqui que entra o Batman de Christopher Nolan. Com uma proposta similar, o diretor concebeu uma trama que conta os primeiros anos do herói. Aliás, não apenas do herói, mas também a do homem, Bruce Wayne: a formação dessa dupla persona e como elas interagem entre si e com o povo de Gotham City. 
Na verdade, o caminho para um filme do Batman com uma abordagem mais realista estava pavimentado há anos, desde que Joel Schumacher produziu dois filmes circenses do homem-morcego, que seriam totalmente válidos se assumissem o seu lado kitsch, como a bem-sucedida série dos anos 60, até hoje lembrada com carinho pelos fãs. Mas não, Schumacher não encontrou o tom e caiu no ridículo, sem ser engraçado, o que é pior. Assim, levar o personagem a sério era a solução mais viável para quem ficasse à frente de uma nova versão. 
 Sob esse aspecto, Nolan fez o seu trabalho direitinho. Mostrou, sem pressa e com cuidado, o surgimento do Batman, levemente inspirado em algumas obras dos quadrinhos, como “Ano Um”, de Frank Miller, “A Piada Mortal”, de Alan Moore, e “O Longo Dia das Bruxas”, de Jeph Loeb, mas sem nunca deixar de lado os seus próprios preceitos e, também, o seu estilo cinematográfico. E isso é o mais importante. Nolan, embora tenha tido a preocupação de agradar aos fãs das HQs, não perdeu de vista que estava fazendo cinema. Investiu no seu campo de atuação e se deu bem. 
Begins foi um ótimo filme, estabeleceu aquele universo fantasioso como plausível. Essa foi a sua maior qualidade. Já O Cavaleiro das Trevas é o cinemão hollywoodiano em um de seus melhores momentos, com um roteiro que aposta na inteligência do público sem deixar de ser divertido. E tudo é potencializado pela atuação de Heath Ledger como o vilão mais emblemático da saga. A parte 2 da trilogia foi o auge. Superá-lo seria complicado, mesmo para Nolan, que agora contava com o apoio quase unânime dos fãs. E a previsão se confirmou. O Cavaleiro das Trevas Ressurge é bom, sem dúvida, e fecha a trama de forma digna, mas não chegou nem perto do nível de excelência do seu antecessor, como alardeiam por aí. 
São compreensíveis os exageros nos elogios, já que o adjetivo se aplica de certa forma ao cinema de Nolan. Ele tem um quê megalomaníaco, gosta de trabalhar com escalas grandiosas. Quando sabe dosar, como foi o caso de O Cavaleiro das Trevas, o resultado é excepcional. Mas às vezes o filme se perde na sua grandiosidade e isso pode ludibriar, mascarar suas falhas. Nesta última parte, Nolan não foi tão atento aos detalhes, deixou que o “intrincado” ganhasse ares de “confuso”. Buracos no roteiro são perceptíveis até para quem não é familiarizado com técnicas cinematográficas, como incoerências nos planos de Bane e saídas inverossímeis para os conflitos apresentados (não vou me aprofundar para não dar spoilers). 
Mas o que mais incomoda em O Cavaleiro das Trevas Ressurge é a sua previsibilidade. É muito óbvio o que está acontecendo, o elemento surpresa é esvaziado logo de cara e as “revelações” na parte final soam tolas. O problema é que ele é o tipo de filme que te deixa de boca aberta à primeira vista, com cenas impactantes como a do futebol americano. Mas quando passa a empolgação e você começa a pensar sobre ele... É, poderia ser melhor. Assim, se distancia do próprio universo sobre o qual foi criado e se aproxima de uma aventura de James Bond. Não que seja um demérito, só um pouco destoante. Por outro lado, a incursão pelos dramas pessoais de Bruce Wayne é elogiável, assim como a composição da Mulher-Gato pela Anne Hathaway, culminando na relação de tensão/romance entre os dois, tornando-os, de longe, os personagens mais interessantes do longa. 
De qualquer forma, o caminho escolhido por Nolan na trilogia como um todo é altamente benéfico para as adaptações de quadrinhos. Ele deu a sua visão, contou a sua história. E mais: fez com que o seu trabalho não fosse apenas uma transposição do papel para a tela. Não, ele fez cinema. E do bom, apesar das ressalvas. Depois, outro diretor virá e fará algo novo, completamente diferente. Dizem que o Batman deve voltar a aparecer em 2016. Se melhor ou pior, com abordagem realista ou non sense, fiel ou não aos quadrinhos, só o tempo dirá. Contanto que seja cinema de qualidade, vale tudo.

E se os filmes e séries fossem jogos do Atari?

O estúdio Penny Design, da Inglaterra, criou pôsteres baseados em sucessos do cinema. Olha como ficou legal:









segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mais Zumbis na área


Como filmes de zumbis nunca são demais, vem ai o que parece mais um bom exemplar do gênero, direto da Inglaterra, que já nos deu Shaun Of the Dead. Preparem a pipoca..

terça-feira, 31 de julho de 2012

Brigas de verdade e de mentirinha


Stallone, Schwarzenegger, Van Damme, Chuck Norris e outros astros de ação juntos em Os Mercenários 2, que estreia nos cinemas no final de agosto. A comoção entre os fãs do gênero é total. Qual adolescente dos anos 80 pra cá nunca quis vê-los saindo no braço ou imaginou quem sairia vencedor dessas lutas? Seria uma espécie de culto à violência, então? Mesmo com tantas porradas, tiros e explosões que fazem parte de um filme do tipo, não considero esse aspecto. É algo tão plástico e non sense que quebra qualquer tentativa de associação com a realidade.
Diferente, por exemplo, do gosto por sangue derramado nos octógonos pelo mundo. Ali não tem nada ensaiado, são dois homens em um cercado, tal qual rinhas de galo que ainda resistem em alguns lugares, com um objetivo: machucar pra valer o outro, finalizá-lo, para usar o vocabulário do “esporte”. Sim, entre aspas, pois MMA pra mim não é esporte, muito menos arte, como muitos apregoam. Boxe também não é. Briga não é arte. Talvez uma arte rupestre, primitiva, típica dos homens das cavernas, que revelam os instintos mais baixos do ser humano. Mas nem assim dá pra engolir.
Engraçado que a relação que se faz entre MMA e cinema é tão forte, que é difícil defender uma e atacar a outra. Até porque alguns lutadores já migraram para Hollywood. O próprio filme dos Mercenários tem o seu representante da pancadaria real: Randy Couture, que, inclusive, foi derrotado por Lyoto Machida na sua despedida do UFC. No primeiro filme, o personagem interpretado por ele é um cara paranóico que acha que todos olham para a sua orelha deformada. Uma piada inevitável e, até certo ponto, metalingüística.
O pior é que tem mais gente que deve aproveitar a popularidade e invadir essa praia. O brasileiro Anderson Silva é um que já demonstrou interesse em investir no cinema após a aposentadoria e já participou de um clipe da Marisa Monte para provar que suas intenções são sérias. Não vou julgar a capacidade artística de quem tenta essa conversão. Pode ser que dê certo mesmo, tenho que esperar. Agora, o que não consigo entender é o motivo que leva as pessoas a colocar no mesmo balaio as lutas do MMA e o cinema. Não entendo essa relação. Mesmo.
Adoro os filmes de ação da galera que citei no começo desse texto. Vibro com as lutas, com os tiroteios... Mas, repito, é tudo tão orquestrado (às vezes, mal orquestrado, tosco pra caramba), coreografado, que não dá pra levar a sério. É só um passatempo sem grandes conseqüências. MMA, não. Não consigo me divertir (e a palavra é essa mesmo, os fãs se divertem) vendo o sangue jorrar pra valer, ao notar a cara amassada, deformada, dos perdedores no chão. Se isso é esporte ou arte, eu não entendo mais nada.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Paul - O Alien Fugitivo

Um típico road movie. Na rota, os mais famosos pontos de avistamento de discos voadores e atividades extraterrestres. A bordo de um trailer estão dois nerds ingleses, encantados pela primeira visita à Comic Con, o principal evento de cultura pop do mundo. O que pra eles já era a conquista do “sonho americano” se torna ainda melhor quando, no meio do deserto, dão de cara com um ET que fugiu da Área 51. “Melhor” porque o tal alienígena não é um monstro dominador e sanguinário, mas um cara simpático, totalmente adaptado aos costumes da Terra.
Péssimo no “volante”, seja de naves espaciais ou de carros, o ET herdou o nome Paul de um cachorro que teve o azar de ficar no caminho do ovni desgovernado. Levado para uma base militar, Paul repassou todo o seu conhecimento aos norte-americanos e serviu de consultor para vários assuntos do mundo científico e do entretenimento ao longo dos anos (Spielberg que o diga – em uma cena hilária, aliás). Mas quando os humanos sentiram que a fonte intelectual secou, só restou partir para experiências com células-tronco, o que significaria abrir o cérebro do alien, que, claro, deu um jeito de fugir.
O filme tem várias sacadas geniais, como a explicação para a aparência do ET (o clássico homenzinho verde e cabeçudo) e o embate entre ciência x fé, que, embora esteja ali como escada para um humor leve, sem nenhuma pretensão filosófica, funciona muito bem ao tirar um sarro com os fanáticos religiosos – “É impossível ganhar com essa gente”, sempre dispostos a arranjar motivos divinos para os atos do cotidiano, eximindo a raça humana de responsabilidades. Fora, é claro, a “conversão” do personagem feminino, que, tolhida pelo pai desde que nasceu, passa a agir de acordo com a sua própria vontade.
A química entre Simon Pegg e Nick Frost, por si só, é uma atração à parte. Quem assistiu a “Todo mundo quase morto” sabe do que a dupla é capaz. E o diretor Greg Mottola, discípulo de Judd Apatow, extrai o que pode dessa parceria, dando ao filme ares de um verdadeiro “bromance” – amizade masculina, um amor entre irmãos -, potencializado pelo surgimento de Paul, o que rende cenas muito divertidas com a rápida intimidade adquirida pelo trio. Além disso, matei a minha curiosidade em saber os efeitos da maconha em um extraterrestre. “Um ET doidão ia ser muito engraçado”, pensava. E realmente foi.
Para finalizar, o filme é nerd por natureza. Uma comédia de ficção científica excelente, do tipo que aqueles caras que acharam que a atriz do remake de Vingador do Futuro realmente implantou um seio extra para o filme – e assim desfilou na Comic Con desse ano – iriam aplaudir de pé. E, dessa forma, provou que a melhor piada de “Paul – O Alien Fugitivo” é mesmo a recorrente “Três seios, muito legal”, sendo isso o primeiro detalhe que todos viam na HQ escrita pelo personagem de Frost. E eu estou nesse time, fazer o quê?