terça-feira, 31 de julho de 2012

Brigas de verdade e de mentirinha


Stallone, Schwarzenegger, Van Damme, Chuck Norris e outros astros de ação juntos em Os Mercenários 2, que estreia nos cinemas no final de agosto. A comoção entre os fãs do gênero é total. Qual adolescente dos anos 80 pra cá nunca quis vê-los saindo no braço ou imaginou quem sairia vencedor dessas lutas? Seria uma espécie de culto à violência, então? Mesmo com tantas porradas, tiros e explosões que fazem parte de um filme do tipo, não considero esse aspecto. É algo tão plástico e non sense que quebra qualquer tentativa de associação com a realidade.
Diferente, por exemplo, do gosto por sangue derramado nos octógonos pelo mundo. Ali não tem nada ensaiado, são dois homens em um cercado, tal qual rinhas de galo que ainda resistem em alguns lugares, com um objetivo: machucar pra valer o outro, finalizá-lo, para usar o vocabulário do “esporte”. Sim, entre aspas, pois MMA pra mim não é esporte, muito menos arte, como muitos apregoam. Boxe também não é. Briga não é arte. Talvez uma arte rupestre, primitiva, típica dos homens das cavernas, que revelam os instintos mais baixos do ser humano. Mas nem assim dá pra engolir.
Engraçado que a relação que se faz entre MMA e cinema é tão forte, que é difícil defender uma e atacar a outra. Até porque alguns lutadores já migraram para Hollywood. O próprio filme dos Mercenários tem o seu representante da pancadaria real: Randy Couture, que, inclusive, foi derrotado por Lyoto Machida na sua despedida do UFC. No primeiro filme, o personagem interpretado por ele é um cara paranóico que acha que todos olham para a sua orelha deformada. Uma piada inevitável e, até certo ponto, metalingüística.
O pior é que tem mais gente que deve aproveitar a popularidade e invadir essa praia. O brasileiro Anderson Silva é um que já demonstrou interesse em investir no cinema após a aposentadoria e já participou de um clipe da Marisa Monte para provar que suas intenções são sérias. Não vou julgar a capacidade artística de quem tenta essa conversão. Pode ser que dê certo mesmo, tenho que esperar. Agora, o que não consigo entender é o motivo que leva as pessoas a colocar no mesmo balaio as lutas do MMA e o cinema. Não entendo essa relação. Mesmo.
Adoro os filmes de ação da galera que citei no começo desse texto. Vibro com as lutas, com os tiroteios... Mas, repito, é tudo tão orquestrado (às vezes, mal orquestrado, tosco pra caramba), coreografado, que não dá pra levar a sério. É só um passatempo sem grandes conseqüências. MMA, não. Não consigo me divertir (e a palavra é essa mesmo, os fãs se divertem) vendo o sangue jorrar pra valer, ao notar a cara amassada, deformada, dos perdedores no chão. Se isso é esporte ou arte, eu não entendo mais nada.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Paul - O Alien Fugitivo

Um típico road movie. Na rota, os mais famosos pontos de avistamento de discos voadores e atividades extraterrestres. A bordo de um trailer estão dois nerds ingleses, encantados pela primeira visita à Comic Con, o principal evento de cultura pop do mundo. O que pra eles já era a conquista do “sonho americano” se torna ainda melhor quando, no meio do deserto, dão de cara com um ET que fugiu da Área 51. “Melhor” porque o tal alienígena não é um monstro dominador e sanguinário, mas um cara simpático, totalmente adaptado aos costumes da Terra.
Péssimo no “volante”, seja de naves espaciais ou de carros, o ET herdou o nome Paul de um cachorro que teve o azar de ficar no caminho do ovni desgovernado. Levado para uma base militar, Paul repassou todo o seu conhecimento aos norte-americanos e serviu de consultor para vários assuntos do mundo científico e do entretenimento ao longo dos anos (Spielberg que o diga – em uma cena hilária, aliás). Mas quando os humanos sentiram que a fonte intelectual secou, só restou partir para experiências com células-tronco, o que significaria abrir o cérebro do alien, que, claro, deu um jeito de fugir.
O filme tem várias sacadas geniais, como a explicação para a aparência do ET (o clássico homenzinho verde e cabeçudo) e o embate entre ciência x fé, que, embora esteja ali como escada para um humor leve, sem nenhuma pretensão filosófica, funciona muito bem ao tirar um sarro com os fanáticos religiosos – “É impossível ganhar com essa gente”, sempre dispostos a arranjar motivos divinos para os atos do cotidiano, eximindo a raça humana de responsabilidades. Fora, é claro, a “conversão” do personagem feminino, que, tolhida pelo pai desde que nasceu, passa a agir de acordo com a sua própria vontade.
A química entre Simon Pegg e Nick Frost, por si só, é uma atração à parte. Quem assistiu a “Todo mundo quase morto” sabe do que a dupla é capaz. E o diretor Greg Mottola, discípulo de Judd Apatow, extrai o que pode dessa parceria, dando ao filme ares de um verdadeiro “bromance” – amizade masculina, um amor entre irmãos -, potencializado pelo surgimento de Paul, o que rende cenas muito divertidas com a rápida intimidade adquirida pelo trio. Além disso, matei a minha curiosidade em saber os efeitos da maconha em um extraterrestre. “Um ET doidão ia ser muito engraçado”, pensava. E realmente foi.
Para finalizar, o filme é nerd por natureza. Uma comédia de ficção científica excelente, do tipo que aqueles caras que acharam que a atriz do remake de Vingador do Futuro realmente implantou um seio extra para o filme – e assim desfilou na Comic Con desse ano – iriam aplaudir de pé. E, dessa forma, provou que a melhor piada de “Paul – O Alien Fugitivo” é mesmo a recorrente “Três seios, muito legal”, sendo isso o primeiro detalhe que todos viam na HQ escrita pelo personagem de Frost. E eu estou nesse time, fazer o quê?


quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin – 2010)




Não importa se é no Brasil, Eua ou no Irã. O ser humano é ambíguo por natureza, o que joga por terra qualquer teoria maniqueísta baseada em Bem e Mal. Quando se trata de conflitos humanos, não existe um lado verdadeiro, correto ou cheio de razão.


No filme iraniano A Separação - ganhador do Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro -  o diretor Asghar Faarhadi tece uma colcha de retalhos morais em que a  tradição local do país se confunde com os dramas familiares localizados nas classes sociais não tão definidas em um país historicamente pobre e rígido, marcado pelas cicatrizes de guerra.

É nesse ambiente multicor que o personagem Nader tenta equilibrar a dolora separação da esposa (isso é uma tradição onde esse tipo de coisa é humilhação), os cuidados com o pai, que definha mentalmente e fisicamente, consumido pelo Mal de Alzheimer e a educação da filha.

Até que ele se vê obrigado a contratar uma empregada para cuidar do pai, enquanto trabalha, sem saber que a mesma está grávida. O que acontece a seguir  é uma sucessão de pequenos conflitos em um crescendo absurdo que envolve um tribunal, mentiras, preconceitos, briga por honras que parece não ter fim ou caminhar para um destino trágico.

Mas, Faarhadi não quer chocar com as tradições do seu país. O importante, no caso, é acompanhar o sofrimento de um grupo social estigmatizado pela violência contra a mulher e contra a tolerância, mas que possui matizes mais interessantes de se abordar. Não, não há surras em mulheres. Pelo menos, não fisicamente. A dor psicológica é maior. E o choro sentido e reprimido da filha, telespectadora subjetiva dos acontecimentos é o verdadeiro panorama evocado pelo filme. E a cena final, um claro despertar duvidoso de um processo interminável que corroi a alma humana: mas, afinal, quem está com a verdade?.

 (Sim, o blog abre espaço para outros filmes fora do gênero terror, desde que sejam importante para nós)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Arte & Pornografia


A linha que separa a genialidade da loucura é muito tênue e, por vezes, ocorre uma interseção entre muitas das características envolvidas. Talvez seja por isso que as pessoas, em geral, não saibam como classificar Alan Moore. Confesso que eu mesmo, várias vezes, lendo as obras desse inglês barbudão, cheguei a parar e pensar: “Esse cara só pode ser doente. Ninguém em sã consciência faria algo do tipo”. Mas depois de uma análise mais profunda, a gente percebe que ali está o retrato da nossa sociedade, com todos os seus vícios, hábitos, visões moralmente distorcidas e, por que não, algumas virtudes.
Não dá nem para explicar direito o turbilhão de sentimentos a cada página virada em suas graphic novels e demais quadrinhos, mas vou tentar fazer uma rápida retrospectiva até chegar onde quero. Bom, primeiro fiquei instigado com “Do Inferno”, depois minha visão de mundo foi sensivelmente alterada ao ler “V de Vingança”, vibrei com a origem do Coringa em “A Piada Mortal” e meu queixo caiu com “Watchmen”. Citei apenas os mais importantes para, enfim, dizer que nada, absolutamente nada, se compara a “Lost Girls”.
A obra foi lançada em 2007 e desde então sempre tive vontade de ler, mas fui adiando. Ganhei os dois primeiros encadernados de aniversário e comprei o último. Me arrependi da demora. Li em um dia, não deu para interromper. Moore chegou no auge da sua imaginação, realmente elevando a pornografia ao status de arte, dentro da cultura pop. Ele amplia a forma sarcástica e irônica com que Woody Allen, por exemplo, aborda o sexo, tornando-o o centro de tudo em nossa vida e mostrando as suas diversas facetas num trabalho sério e profundo sobre o psiquê humana.
Se ficaram preocupados com a palavra “pornografia”, podem ficar tranquilos, pois a narrativa é elegante e a criatividade é aflorada, com os desenhos de Melinda Gebbie evocando a art nouveau, fazendo com que as sequências eróticas sejam um colírio não só aos olhos, mas também à mente, tendo o seu ponto alto em uma sequência que revela todo o desejo e luxúria reprimidos por meio de um jogo de sombras durante uma conversa banal. Já o roteiro de Moore mostra como o sexo rege o nosso destino e, para tal, situa a história às vésperas da Primeira Guerra Mundial, a fim de promover o embate entre a celebração da vida (o sexo) e a certeza da morte (guerra, destruição). É um tratamento de choque, mas que funciona como antídoto para a ignorância, o falso moralismo e a hipocrisia.
Deixei propositalmente para o final o detalhe que, embora seja o mais óbvio, paradoxalmente, é o mais interessante de toda a história: as suas protagonistas. Moore desconstrói os contos de fada e os reinterpreta como uma alusão à iniciação sexual. Wendy, Alice e Dorothy, de Peter Pan, Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz, respectivamente, se encontram num hotel na Áustria e compartilham suas experiências, que, aos seus olhos de crianças, à época, ganhavam uma atmosfera de sonho e encantamento, marcando-as para sempre. Daí vem o título do livro. Elas se conhecem e tentam resgatar as meninas que foram um dia e se perderam pela vida.
Alan Moore mostra, portanto, que na ficção tudo é possível e não há limites para o verdadeiro artista. Ele explora o formato dos quadrinhos à exaustão, como, acredito, nunca tinha feito antes e expõe seus pensamentos para o público, tendo na pornografia, ou erotismo, que é como ele prefere, apenas um caminho. O que importa mesmo é enriquecer os leitores com um debate de ideias e uma gama de referências culturais. Se a opção pelo tema foi para chocar, não sei dizer. Só o que sei é que espero ler de Moore muitas outras loucuras geniais, ou genialidade loucas, se preferir.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Por trás da máscara


Todo fã de filmes de terror conhece as regras do gênero. E até aqueles que nunca haviam parado para pensar na sua estrutura, ganharam algumas noções básicas com a série “Pânico”, que as apresentava e as subvertia de forma inteligente – o primeiro e o quarto, na verdade. Pouco se salva dos filmes intermediários. Mas nada que se compare a “Por trás da máscara – O surgimento de Leslie Vernon”, quase um passo a passo para os aspirantes a serial killer.
O filme é de 2006 e mescla a estética documental com um típico slasher, fundindo realidade e ficção, algo que o diretor estreante Scott Glosserman deixa claro logo no começo ao retratar Freddy Krueger, Jason Voorhees e Michael Myers como personagens reais, os caras que elevaram o assassinato ao status de arte e se tornaram referências para a nova geração. Assim, a ideia de “Por trás da máscara” é mostrar o surgimento de um “vilão”, Leslie Vernon, que explicaria a uma equipe de TV os seus métodos e todo o ritual de preparação para cometer os crimes.
Nesse ponto, algumas situações chegam a ser um pouco surreais, até com certo ar de comicidade pelo absurdo do tema. Mas tudo faz sentido naquele contexto, já que o assassino está em começo de carreira e a notoriedade é algo a ser alcançado. Dessa forma, conceitos como o da garota sobrevivente, o porquê do timing perfeito com que as futuras vítimas encontram os cadáveres de seus amigos, os segredos por trás da onipresença do vilão e até a sua propalada imortalidade são revelados. A participação de um assassino aposentado (vivido por Scott Wilson, o Hershel, de The Walking Dead), mestre na arte, só confere mais autencidade à proposta do filme, que prima pela riqueza de detalhes.
Do meio para o final vem a grande virada e “Por trás da máscara” bota em prática tudo aquilo que foi ensinado até então. É quando o roteiro revela toda a sua inteligência, ligando as pontas e justificando o que tínhamos achado sem sentido à primeira vista. Ver Leslie Vernon em ação empolga. A razão para isso, acredito, é que vemos as coisas do ponto de vista do assassino. O filme cria um laço perturbador entre ele e o espectador, uma sensação de intimidade, de cumplicidade, que excita ao mesmo tempo em que causa repulsa. Demora para tomarmos partido dos “mocinhos”. Se é que tomamos...
Ao final, uma certeza: “Por trás da máscara” cumpre o prometido. Revela um vilão carismático e letal, pronto para figurar entre as grandes lendas da arte do assassinato. Se você gosta de terror, descubra esse filme. Vale a pena. Leslie Vernon merecia muito mais badalação. Em tempo: dois ícones do gênero estão no elenco, Robert Englund, ninguém menos do que Freddy Krueger, e Zelda Rubinstein, a paranormal de Poltergeist. Participações naturais em um filme que reverencia o passado e o homenageia de forma brilhante.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Prometheus

Ambição. Essa é a palavra que define Prometheus, de Ridley Scott. Aliás, esse é um artigo tão raro hoje em dia no cinema que as falhas do filme (sim, elas existem) são, de certo modo, compensadas por uma trama instigante do ponto de vista narrativo, com um estímulo ao debate de ideias e criação de teorias, além de conseguir provocar a tensão digna dos melhores filmes-pipoca.
Prometheus, para quem não sabe, é o retorno do cineasta ao universo de Alien, concebido em 1979, funcionando como um prelúdio à série. Embora possa ser visto de forma isolada, um conhecimento prévio dos longas anteriores permite reconhecer algumas referências e até amarrar algumas pontas soltas deixadas pelo roteiro. Scott partiu de uma cena específica do original – Quem era o Space Jokey? – para criar uma premissa diferente, que visa discutir as eternas questões existenciais: “Quem somos?”, “De onde viemos”, “Por que estamos aqui?”.
A trama começa nos mostrando a origem da vida na Terra: um ser alienígena se sacrifica e doa seu DNA, que sofre contínuas mutações a partir daí. Milhões de anos depois, cientistas descobrem, nas paredes de cavernas espalhadas pelo mundo, vários desenhos feitos por civilizações antigas, que revelam um mapa que nos levaria ao encontro dos nossos criadores. Desse ponto em diante, pisamos em território conhecido na série Alien: expedição exploratória e o encontro com o terror.
A falta de respostas é algo que incomodou muita gente em relação ao filme. Mas, ao meu ver, tudo é passível de teorias. Não é difícil supor alguns detalhes que ficaram implícitos e formular hipóteses coerentes com o que vimos na tela. Ainda mais se a afinidade com o universo de Alien for estreita. Difícil para um público acostumado a ter tudo mastigado, mas salutar para quem gosta de pensar sobre o cinema e a vida de uma maneira geral.
Prometheus remete à Alien na sua estética, principalmente quando os personagens se encontram no planeta alienígena: escuridão, o silêncio perturbador que emana dos espaços vazios. A diferença para Alien reside na importância que damos ao destino das pessoas que estão ali. Em Alien, toda essa atmosfera nos fazia temer pelos personagens, que eram dotados de complexidade. Em Prometheus, eles são unidimensionais, cumprem a sua função para o filme e só. Exceção feita ao androide David, numa atuação excepcional de Michael Fassbender, a prova “viva” da arrogância humana. Mas, ainda assim, Ripley fez falta e a sua “ancestral” aqui, interpretada por Noomi Rapace, acaba sendo construída de maneira apressada e com uma certa fragilidade.
Enfim, não entrarei em mais detalhes para não soltar spoilers, que serão inevitáveis dada a intrincada temática do filme. Digo apenas que Prometheus não é uma obra-prima, mas é uma bela ficção científica, que bebe na fonte de grandes filmes, como 2001 e, principalmente, Contato. Para o atual nível do cinema-pipoca, está excelente. Vale a conferida.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Donnie Darko (Donnie Darko, 2001)






            I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world
Mad world
Enlarging your world
Mad world
(Gary Jules – Mad World)

(Atenção: spoilers pra quem não viu o filme)

De início, Donnie Darko parece um daqueles dramas indies de famílias suburbanas americanas. Familia em volta da mesa de jantar, discutindo como foi seu dia. Mas, logo, a história mostra-se muito mais que isso. Donnie Darko é uma fábula sobre a vida e a morte e como os jovens encaram o tempo. Donnie é um rapaz problemático. Tem histórico de agressividade. Toma remédios, xinga a mãe. Já causou problemas na escola. Um dia, uma turbina cai no telhado de sua casa, bem em cima da sua cama. Por sorte (sorte?) ele não estava lá, pois estava seguindo um coelho feioso gigante lá fora. O coelho que irá acompanhá-lo em suas visões.
 
Donnie Darko é uma experiência a princípio confusa, mas que faz bastante sentido no final. Nas suas alucinações, Darko consegue ver relances do futuro, personificados em forma de coelhos ou bolhas temporais. E assim, acaba alterando-os, criando um buraco de minhoca “wormhole” em cima da sua própria casa. Que é onde a turbina cai no futuro. O próprio buraco provoca o acidente de avião que derruba a turbina onde está sua mãe e irmã. Na sua primeira elipse temporal, Donnie acorda no meio de uma estrada, a mesma onde percebe que a tragédia só poderia terminar com seu sacrifício. Este sacrifício que faz com que a linha temporal se restabeleça, sem a sua presença (há uma analogia anos depois em Fringe, com o sacrifício de Peter mudando a linha temporal da série).

Nesse sentido, as ordens do coelho para que Donnie alague a escola ou queime a casa do guru de auto ajuda demonstram as possibilidades de futuro, onde Donnie conhece a mulher que ama ou desmascara um pedófilo. Quando percebe que os fatos que eram futuro agora são presentes, Donnie decide acabar com a própria vida com o novo acidente da turbina e restabelecer o fluxo interrompido na primeira queda. Mas, antes envia uma carta para a senhora louca que escreveu o livro e foi a única além dele a atravessar a linha do tempo. Não é a toa que elas todos os dias verifica se a carta de Donnie do futuro chegou.
 
É a partir desse novo contexto que Donnie começa a perceber porque é um rapaz só. Ele se isolou do mundo. E essa vontade de se integrar novamente, abraçar as paixões, pode ter conseqüências. Aqui, trágicas. E tal qual o coelho de Alice no País das Maravilhas, o coelho aqui (real ou imaginário), é responsável por guiar o jovem para o futuro. Entre alucinações e outras, o adolescente recebe missões. Falsas promessas. Para evitar o fim do mundo. Mas, não se pode evitar a morte. Nem uma turbina que cai em cima da sua cama. “Donnie trapaceou a Morte”. Mas, trapacendo-a, Darko criou uma nova linha temporal. Ele está salvo, mas e quem ele ama?. É essa a mensagem do filme. Que nosso destino é feito pelas nossas escolhas. Algumas são bem ruins. E não temos como voltar no tempo e impedi-las. Porque isso requer sacrifícios.

O roteiro do filme é maduro o suficiente para apresentar pistas da espiral do tempo que move o garoto durante todo o filme. (Lembrem de Donnie golpeando no espelho justamente o olho que irá atirar no coelho – namorado da irmã). Enfim, uma experiência imperdível de um excelente filme, que merece ser redescoberto.

Algumas Notas sobre o filme:

- O elenco é muito bom, com destaque para o então desconhecido  Jake Gyllenhaal, que depois se tornaria um astro. Maggie Gyllenhaal, que faz a irmã mais velha de Donnie, também é irmã de Jake fora das telonas.

- Patrick Swayze tem aqui o melhor papel da sua carreira, como o guru de auto ajuda com intenções nada boas.

- A melhor cena do filme é aquela que a câmera percorre a escola ao som de Head Over Heels do Tears for Fears, que fala sobre... o tempo e apresenta todos os personagens.

- Aqui, o diretor Richard Kelly parecia ser um diretor promissor, mas depois descambou para coisas como Southland Tales e A Caixa. Duas porcarias que tentaram imitar o clima de mistério e ficção científica de Donnie Darko, mas se revelaram duas experiências medíocres.

- Drew Barrymore, que faz a professora de literatura, também é produtora do filme.

- Atentem para Seth Rogen, em início de carreira como o amigo do Bad boy da escola.

- A música que encerra o filme é uma versão de Mad World, também do Tears for Fears, feita pelo cantor Gary Jules.

- A trilha, aliás, tem outros clássicos como Killing Moon, do Echo and the Bunnymen
  


FESTIVAL DE FILMES DE TERROR NO CINE OLYMPIA

O Cinema Olympia de Belém, o segundo mais antigo do Brasil em atividade, tem uma programação muito legal de filmes de terror pra quem vai ficar na cidade no mês das férias, ou pra quem é aficcionado (como eu), por filmes do gênero. A programação é imperdível:

Confira o Release:
 
FESTIVAL DE FILMES DE TERROR
Dentro das comemorações do centenário do Cinema Olympia, de 03 à 29/07 será exibido um festival de filmes de terror que vai incluir clássicos como DRÁCULA e FRANKENSTEIN e também filmes de outras décadas como O BEBÊ DE ROSEMARY e CARRIE A ESTRANHA. A programação acontecerá de terça à domingo com sessão às 18:30h e entrada franca.

1º SEMANA
DIA 03/07 – FRANKENSTEIN (1931) com Boris Karloff
DIA 04/07 – DRÁCULA (1932) com Bela Lugosi
DIA 05/07 - O LOBISOMEM (1941) com Lon Chaney Jr.
DIA 06/07 - O HOMEM INVISÍVEL (1933) com Claude Rains
DIA 07/07 - O MONSTRO DA LAGOA NEGRA (1953) de Jack Arnold
DIA 08/07 - A MÚMIA (1932) com Boris Karloff

2ª SEMANA
DIA 10/07 – O MONSTRO DO ÁRTICO (1951) de Christian Nyby
DIA 11/07 - OBSESSÃO MACABRA (1962) de Roger Corman
DIA 12/07 - A MOSCA DA CABEÇA BRANCA (1958) com Vincent Price
DIA 13/07 - MUSEU DE CÊRA (1953) com Vincent Price
DIA 14/07 - O MÉDICO E O MONSTRO (1943) com Spencer Tracy
DIA 15/07 - AS DIABÓLICAS (1955) de Henri Clouzot

3ª SEMANA
DIA 17/07 - O FANTASMA DA ÓPERA (1943) de Arthur Lubin
DIA 18/07 - O TÚMULO VAZIO (1945) de Robert Wise
DIA 19/07 - SANGUE DA PANTERA (1942) de Jacques Torneur
DIA 20/07 - A MORTA-VIVA (1943) de Jacques Torneur
DIA 21/07 – O BEBÊ DE ROSEMARY (1968) de Roman Polansky
DIA 22/07 – OS INOCENTES (1961) de Jack Clayton

4ª SEMANA
DIA 24/07 – A BOLHA ASSASSINA (1958) com Stevge McQuenn
DIA 25/07 - O ENIGMA DO MAL (1982) com Barbara Hershey
DIA 26/07 – OS OUTROS (2001) com Nicole Kidman
DIA 27/07 – A DANÇA DOS VAMPIROS (1967) de Roman Polansky
DIA 28/07 – NOSFERATU (1979) de Werner Herzog
DIA 29/07 – CARRIE, A ESTRANHA(1976) Ed Brian de Palma

*Programação inadequado para menores de 12 anos

(Fonte - Cine Olympia)

domingo, 1 de julho de 2012

CHUCKY, O ASSASSINO DE BRINQUEDO!!


Por falar em Chucky, curtam essa versão de uma música rap em homenagem ao filme:

 

Dica do amigo jornalista do Estado de São Paulo, Cley Scholz, o cara por trás do imperdível blog Reclames do Estadão:  http://blogs.estadao.com.br/reclames-do-estadao/