quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin – 2010)




Não importa se é no Brasil, Eua ou no Irã. O ser humano é ambíguo por natureza, o que joga por terra qualquer teoria maniqueísta baseada em Bem e Mal. Quando se trata de conflitos humanos, não existe um lado verdadeiro, correto ou cheio de razão.


No filme iraniano A Separação - ganhador do Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro -  o diretor Asghar Faarhadi tece uma colcha de retalhos morais em que a  tradição local do país se confunde com os dramas familiares localizados nas classes sociais não tão definidas em um país historicamente pobre e rígido, marcado pelas cicatrizes de guerra.

É nesse ambiente multicor que o personagem Nader tenta equilibrar a dolora separação da esposa (isso é uma tradição onde esse tipo de coisa é humilhação), os cuidados com o pai, que definha mentalmente e fisicamente, consumido pelo Mal de Alzheimer e a educação da filha.

Até que ele se vê obrigado a contratar uma empregada para cuidar do pai, enquanto trabalha, sem saber que a mesma está grávida. O que acontece a seguir  é uma sucessão de pequenos conflitos em um crescendo absurdo que envolve um tribunal, mentiras, preconceitos, briga por honras que parece não ter fim ou caminhar para um destino trágico.

Mas, Faarhadi não quer chocar com as tradições do seu país. O importante, no caso, é acompanhar o sofrimento de um grupo social estigmatizado pela violência contra a mulher e contra a tolerância, mas que possui matizes mais interessantes de se abordar. Não, não há surras em mulheres. Pelo menos, não fisicamente. A dor psicológica é maior. E o choro sentido e reprimido da filha, telespectadora subjetiva dos acontecimentos é o verdadeiro panorama evocado pelo filme. E a cena final, um claro despertar duvidoso de um processo interminável que corroi a alma humana: mas, afinal, quem está com a verdade?.

 (Sim, o blog abre espaço para outros filmes fora do gênero terror, desde que sejam importante para nós)

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