terça-feira, 31 de julho de 2012

Brigas de verdade e de mentirinha


Stallone, Schwarzenegger, Van Damme, Chuck Norris e outros astros de ação juntos em Os Mercenários 2, que estreia nos cinemas no final de agosto. A comoção entre os fãs do gênero é total. Qual adolescente dos anos 80 pra cá nunca quis vê-los saindo no braço ou imaginou quem sairia vencedor dessas lutas? Seria uma espécie de culto à violência, então? Mesmo com tantas porradas, tiros e explosões que fazem parte de um filme do tipo, não considero esse aspecto. É algo tão plástico e non sense que quebra qualquer tentativa de associação com a realidade.
Diferente, por exemplo, do gosto por sangue derramado nos octógonos pelo mundo. Ali não tem nada ensaiado, são dois homens em um cercado, tal qual rinhas de galo que ainda resistem em alguns lugares, com um objetivo: machucar pra valer o outro, finalizá-lo, para usar o vocabulário do “esporte”. Sim, entre aspas, pois MMA pra mim não é esporte, muito menos arte, como muitos apregoam. Boxe também não é. Briga não é arte. Talvez uma arte rupestre, primitiva, típica dos homens das cavernas, que revelam os instintos mais baixos do ser humano. Mas nem assim dá pra engolir.
Engraçado que a relação que se faz entre MMA e cinema é tão forte, que é difícil defender uma e atacar a outra. Até porque alguns lutadores já migraram para Hollywood. O próprio filme dos Mercenários tem o seu representante da pancadaria real: Randy Couture, que, inclusive, foi derrotado por Lyoto Machida na sua despedida do UFC. No primeiro filme, o personagem interpretado por ele é um cara paranóico que acha que todos olham para a sua orelha deformada. Uma piada inevitável e, até certo ponto, metalingüística.
O pior é que tem mais gente que deve aproveitar a popularidade e invadir essa praia. O brasileiro Anderson Silva é um que já demonstrou interesse em investir no cinema após a aposentadoria e já participou de um clipe da Marisa Monte para provar que suas intenções são sérias. Não vou julgar a capacidade artística de quem tenta essa conversão. Pode ser que dê certo mesmo, tenho que esperar. Agora, o que não consigo entender é o motivo que leva as pessoas a colocar no mesmo balaio as lutas do MMA e o cinema. Não entendo essa relação. Mesmo.
Adoro os filmes de ação da galera que citei no começo desse texto. Vibro com as lutas, com os tiroteios... Mas, repito, é tudo tão orquestrado (às vezes, mal orquestrado, tosco pra caramba), coreografado, que não dá pra levar a sério. É só um passatempo sem grandes conseqüências. MMA, não. Não consigo me divertir (e a palavra é essa mesmo, os fãs se divertem) vendo o sangue jorrar pra valer, ao notar a cara amassada, deformada, dos perdedores no chão. Se isso é esporte ou arte, eu não entendo mais nada.

Um comentário:

Antonio Anderson disse...

Não dá para negar que a única semelhança entre o cinema e os esportes de luta é que são ramos bilionários, que rendem grande publicidade.

Porém, são de fato ramos antagônicos: "as de mentira" requerem cuidado, interpretação, pesquisas minuciosas para refletir falsamente a realidade, às vezes com mais emoção que a própria.

Quanto ao fato da "troca de ramo", pode ser uma identificação, mas que a sensação de marketing vira uma pulga que habita nossos ouvidos... Isso vira! hehehe.

Abraço.