sexta-feira, 27 de julho de 2012

Paul - O Alien Fugitivo

Um típico road movie. Na rota, os mais famosos pontos de avistamento de discos voadores e atividades extraterrestres. A bordo de um trailer estão dois nerds ingleses, encantados pela primeira visita à Comic Con, o principal evento de cultura pop do mundo. O que pra eles já era a conquista do “sonho americano” se torna ainda melhor quando, no meio do deserto, dão de cara com um ET que fugiu da Área 51. “Melhor” porque o tal alienígena não é um monstro dominador e sanguinário, mas um cara simpático, totalmente adaptado aos costumes da Terra.
Péssimo no “volante”, seja de naves espaciais ou de carros, o ET herdou o nome Paul de um cachorro que teve o azar de ficar no caminho do ovni desgovernado. Levado para uma base militar, Paul repassou todo o seu conhecimento aos norte-americanos e serviu de consultor para vários assuntos do mundo científico e do entretenimento ao longo dos anos (Spielberg que o diga – em uma cena hilária, aliás). Mas quando os humanos sentiram que a fonte intelectual secou, só restou partir para experiências com células-tronco, o que significaria abrir o cérebro do alien, que, claro, deu um jeito de fugir.
O filme tem várias sacadas geniais, como a explicação para a aparência do ET (o clássico homenzinho verde e cabeçudo) e o embate entre ciência x fé, que, embora esteja ali como escada para um humor leve, sem nenhuma pretensão filosófica, funciona muito bem ao tirar um sarro com os fanáticos religiosos – “É impossível ganhar com essa gente”, sempre dispostos a arranjar motivos divinos para os atos do cotidiano, eximindo a raça humana de responsabilidades. Fora, é claro, a “conversão” do personagem feminino, que, tolhida pelo pai desde que nasceu, passa a agir de acordo com a sua própria vontade.
A química entre Simon Pegg e Nick Frost, por si só, é uma atração à parte. Quem assistiu a “Todo mundo quase morto” sabe do que a dupla é capaz. E o diretor Greg Mottola, discípulo de Judd Apatow, extrai o que pode dessa parceria, dando ao filme ares de um verdadeiro “bromance” – amizade masculina, um amor entre irmãos -, potencializado pelo surgimento de Paul, o que rende cenas muito divertidas com a rápida intimidade adquirida pelo trio. Além disso, matei a minha curiosidade em saber os efeitos da maconha em um extraterrestre. “Um ET doidão ia ser muito engraçado”, pensava. E realmente foi.
Para finalizar, o filme é nerd por natureza. Uma comédia de ficção científica excelente, do tipo que aqueles caras que acharam que a atriz do remake de Vingador do Futuro realmente implantou um seio extra para o filme – e assim desfilou na Comic Con desse ano – iriam aplaudir de pé. E, dessa forma, provou que a melhor piada de “Paul – O Alien Fugitivo” é mesmo a recorrente “Três seios, muito legal”, sendo isso o primeiro detalhe que todos viam na HQ escrita pelo personagem de Frost. E eu estou nesse time, fazer o quê?


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