sexta-feira, 13 de julho de 2012

Por trás da máscara


Todo fã de filmes de terror conhece as regras do gênero. E até aqueles que nunca haviam parado para pensar na sua estrutura, ganharam algumas noções básicas com a série “Pânico”, que as apresentava e as subvertia de forma inteligente – o primeiro e o quarto, na verdade. Pouco se salva dos filmes intermediários. Mas nada que se compare a “Por trás da máscara – O surgimento de Leslie Vernon”, quase um passo a passo para os aspirantes a serial killer.
O filme é de 2006 e mescla a estética documental com um típico slasher, fundindo realidade e ficção, algo que o diretor estreante Scott Glosserman deixa claro logo no começo ao retratar Freddy Krueger, Jason Voorhees e Michael Myers como personagens reais, os caras que elevaram o assassinato ao status de arte e se tornaram referências para a nova geração. Assim, a ideia de “Por trás da máscara” é mostrar o surgimento de um “vilão”, Leslie Vernon, que explicaria a uma equipe de TV os seus métodos e todo o ritual de preparação para cometer os crimes.
Nesse ponto, algumas situações chegam a ser um pouco surreais, até com certo ar de comicidade pelo absurdo do tema. Mas tudo faz sentido naquele contexto, já que o assassino está em começo de carreira e a notoriedade é algo a ser alcançado. Dessa forma, conceitos como o da garota sobrevivente, o porquê do timing perfeito com que as futuras vítimas encontram os cadáveres de seus amigos, os segredos por trás da onipresença do vilão e até a sua propalada imortalidade são revelados. A participação de um assassino aposentado (vivido por Scott Wilson, o Hershel, de The Walking Dead), mestre na arte, só confere mais autencidade à proposta do filme, que prima pela riqueza de detalhes.
Do meio para o final vem a grande virada e “Por trás da máscara” bota em prática tudo aquilo que foi ensinado até então. É quando o roteiro revela toda a sua inteligência, ligando as pontas e justificando o que tínhamos achado sem sentido à primeira vista. Ver Leslie Vernon em ação empolga. A razão para isso, acredito, é que vemos as coisas do ponto de vista do assassino. O filme cria um laço perturbador entre ele e o espectador, uma sensação de intimidade, de cumplicidade, que excita ao mesmo tempo em que causa repulsa. Demora para tomarmos partido dos “mocinhos”. Se é que tomamos...
Ao final, uma certeza: “Por trás da máscara” cumpre o prometido. Revela um vilão carismático e letal, pronto para figurar entre as grandes lendas da arte do assassinato. Se você gosta de terror, descubra esse filme. Vale a pena. Leslie Vernon merecia muito mais badalação. Em tempo: dois ícones do gênero estão no elenco, Robert Englund, ninguém menos do que Freddy Krueger, e Zelda Rubinstein, a paranormal de Poltergeist. Participações naturais em um filme que reverencia o passado e o homenageia de forma brilhante.


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