sexta-feira, 6 de julho de 2012

Prometheus

Ambição. Essa é a palavra que define Prometheus, de Ridley Scott. Aliás, esse é um artigo tão raro hoje em dia no cinema que as falhas do filme (sim, elas existem) são, de certo modo, compensadas por uma trama instigante do ponto de vista narrativo, com um estímulo ao debate de ideias e criação de teorias, além de conseguir provocar a tensão digna dos melhores filmes-pipoca.
Prometheus, para quem não sabe, é o retorno do cineasta ao universo de Alien, concebido em 1979, funcionando como um prelúdio à série. Embora possa ser visto de forma isolada, um conhecimento prévio dos longas anteriores permite reconhecer algumas referências e até amarrar algumas pontas soltas deixadas pelo roteiro. Scott partiu de uma cena específica do original – Quem era o Space Jokey? – para criar uma premissa diferente, que visa discutir as eternas questões existenciais: “Quem somos?”, “De onde viemos”, “Por que estamos aqui?”.
A trama começa nos mostrando a origem da vida na Terra: um ser alienígena se sacrifica e doa seu DNA, que sofre contínuas mutações a partir daí. Milhões de anos depois, cientistas descobrem, nas paredes de cavernas espalhadas pelo mundo, vários desenhos feitos por civilizações antigas, que revelam um mapa que nos levaria ao encontro dos nossos criadores. Desse ponto em diante, pisamos em território conhecido na série Alien: expedição exploratória e o encontro com o terror.
A falta de respostas é algo que incomodou muita gente em relação ao filme. Mas, ao meu ver, tudo é passível de teorias. Não é difícil supor alguns detalhes que ficaram implícitos e formular hipóteses coerentes com o que vimos na tela. Ainda mais se a afinidade com o universo de Alien for estreita. Difícil para um público acostumado a ter tudo mastigado, mas salutar para quem gosta de pensar sobre o cinema e a vida de uma maneira geral.
Prometheus remete à Alien na sua estética, principalmente quando os personagens se encontram no planeta alienígena: escuridão, o silêncio perturbador que emana dos espaços vazios. A diferença para Alien reside na importância que damos ao destino das pessoas que estão ali. Em Alien, toda essa atmosfera nos fazia temer pelos personagens, que eram dotados de complexidade. Em Prometheus, eles são unidimensionais, cumprem a sua função para o filme e só. Exceção feita ao androide David, numa atuação excepcional de Michael Fassbender, a prova “viva” da arrogância humana. Mas, ainda assim, Ripley fez falta e a sua “ancestral” aqui, interpretada por Noomi Rapace, acaba sendo construída de maneira apressada e com uma certa fragilidade.
Enfim, não entrarei em mais detalhes para não soltar spoilers, que serão inevitáveis dada a intrincada temática do filme. Digo apenas que Prometheus não é uma obra-prima, mas é uma bela ficção científica, que bebe na fonte de grandes filmes, como 2001 e, principalmente, Contato. Para o atual nível do cinema-pipoca, está excelente. Vale a conferida.



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