sábado, 16 de fevereiro de 2013

O Homem da Máfia (Killing Them Softly, 2012) - Andrew Dominik



Há uma estranha relação entre a política e a estrutura da máfia americana. Nos dois casos, o dinheiro e as relações de poder são os que movem ambas as engrenagens. Porém, como acontecem com o poder institucionalizado, a máfia  é uma instituição decadente naquele país.

No novo filme do diretor Andrew Dominik (do excepcional O Assassinato de Jesse James),  a relação entre os poderes correm em parelelo. Na primeira cena, a trilha sonora é cortada por discussos de George W. Bush, que na cronologia que a história corre, estava deixando o poder. Enquanto um personagem caminha, as calçadas de New Orleans estão tomadas por lixo de campanha, mostrando que a corrida eleitoral daquele ano seguia a todo vapor para a vitória de Barack Obama.

Durante todo o filme, 90 ligeiros minutos, a maioria das cenas têm televisores e rádios ligados nas declarações dos presidenciáveis, e suas frases de efeitos escritas por ghost writers. Muitas vezes, a voz dos políticos é a única trilha sonora que ouvimos. É numa dessas cenas que conhecemos a casa de jogos onde os mafiosos se encontram para apostas em pôquer e são roubados por dois bandidos armados.


Entra em cena então o matador profissional Jackie Coogan (Brad Pitt), contratado pela organização e intermediado por um desesperado advogado (vivido pelo ótimo ator Richard Jenkins), que vive de aparências. Pitt, ao contrário dos seus pares, ainda é um mafioso a moda antiga. Não é a toa que em sua primeira cena, ele surja com roupas que parecem sair de algum Blaxplotation da década de 70 e ouvindo The Man Comes Around, de Johnny Cash.

Coogan vive hoje em um mundo onde o dinheiro não é mais esbanjado. Pelo contrário, os contratos são feitos sob intensa negociação. A crise financeira apenas mantêm homens sob decadência obscurecida. O matador de James Gandolfini aparece saindo do aeroporto puxando sua mala como um executivo, mas não passa de um matador enfraquecido pelo tempo.



Em meio a longos diálogos expositivos e cenas longas e tensas (como o segundo assalto ao cassino ilegal), Dominik não economiza no revezamento entre o realismo e a encenação estética. Enquanto uma surra em um personagem é encenada de maneira absurdamente gráfica (é possível ouvir os ossos do rosto se quebrando), a morte, igualmente violenta, é filmada de maneira plástica, em câmera lenta, com efeitos especiais. É como se Martin Scorsese se fundisse com John Woo e Sam Peckimpah. E longe de estar no patamar desses ícones, Andrew Dominik vem colocando seu nome entre os grandes diretores da atualidade. Espero ansioso por sua próxima produção.

2 comentários:

Antonio Anderson disse...

Vou procurar assistir e quem sabe eu o indique a um cineclube do meu curso.
Obrigado!

Fábio Nóvoa disse...

Oi, Antonio. assista sim, o filme é bom. Eu que agradeço.