quarta-feira, 6 de março de 2013

House of Cards (2013)




Netflix chegou pra ficar e se estabelece como o novo conceito de tv no mundo, graças a internet. Aquela em que você escolhe o que ver , quando e como. Apesar de embrionário, esse tipo de entretenimento deve dominar e fará com que as emissoras de televisão repensem bem seus modelos de negócios, a partir da necessidade do seu público. Algumas, como HBO e Telecine, além da própria Rede Globo já oferecerem conteúdos amplificados na grande rede, mas ainda é restrito.

Quem mais tornou esse ambiente lucratico foi o Netflix. Oferecer produtos de qualidade a preços baixos fez uma diferença considerável e consolidou a marca da empresa. Dito isso, era uma questão de tempo até que a empresa começasse a pensar produtos próprios, além de oferecer cardápio alheio.

Após uma simplificada primeira tentativa com Lilyhammer, a grande “cartada” do Netflix foi criar a série House of Cards (na verdade uma refilmagem de uma série britânica do mesmo nome). Rapidamente, a história caiu no gosto do público e se tornou uma das maiores audiências da casa. E pouco importa se a série foi criada a partir de pesquisa de opinião sobre gosto do público. Isso é conversa pra rodas de marqueteiros. Afinal, todos sabemos como os gostos são voláteis e diversos.

Assim, é fácil explicar esse sucesso por um ângulo mais simples. Primeiro, pela facilidade de acesso do Netflix. Segundo, porque toda a primeira temporada foi disponibilizada de uma única vez (isso faz muita diferença para quem acompanha muitas séries e gosta de assistir episódios em sequências). Mas os motivos principais são outros dois: Primeiro, o enredo que envolve os bastidores da política, da imprensa e da eleição americana. Uma relação entrelaçada por teias sujas de intrigas, mentiras, traições, sexo e morte. Como bônus extra, há  a produção e direção do piloto pelo grande David Fincher (diretor dos espetaculares Seven, Zodíaco, Alien 3, Clube da Luta, Vidas em Jogo e dos razoáveis Benjamin Button e Quarto do Pânico).


Alerta de Spoiler:

Desde a primeira cena, quando vemos o deputado Frank Underwood matar o cão do vizinho que agonizava na rua após ser atropelado, já sabemos de antemão que ali está um personagem frio e calculista. E não é a toa que Frank passa boa parte da série conversando e estabelecendo suas idéias diretamente com o público. Nos tornamos, mesmo que não queiramos, cúmplices dos seus crimes, jogadas e mentiras. Mas ou menos, como os eleitores que votam em maus políticos também o são por isso. Essa, pra mim, é a grande sacada genial de House of Card. Apesar de não ser novidade (já é usado em outras séries como The Office), o recurso de falar diretamente para a câmera ganha uma força absurda, na densa mitologia da série.

A trama segue os planos de Underwood para ascender em Washington e derruba os adversários (inclusive do próprio partido democrata), após ser preterido da escolha para secretário de educação pelo presidente dos EUA. Frank desmonta todo o Castelo de cartas em volta da Real Politik e da política de aparências na terra do Tio Sam. Mentiras, manipulações e assassinatos se misturam nesse caldeirão de hipocrisia, que encontra ecos na “vida real”. Por outro lado, temos algumas situações forçadas e um pouco clichês, mas nada que tire o brilho da história.

Outro motivo para que a série dê certo é Kevin Spacey. Spacey consegue estabelecer todas as nuances de um personagem complexo por natureza . O congressista é cinico, frio, manipulador e dissimulado por natureza. Além de bissexual. São tantas camadas que só um ator experiente do quilate dele consegue interpretá-lo sem perder a verossimilhança. Com isso ele acaba, infelizmente ofuscando a atuação do elenco secundário como Robin Wright, que apesar de conservada no formol, não consegue ser uma boa atriz.

Trailer de lançamento da série:


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