terça-feira, 21 de outubro de 2014

Não vá à cozinha de madrugada

(Texto originalmente publicado no Diário do Pará, caderno Você, coluna #DiarioCultural de 21/10/2014)


            Desde a estreia de do eficiente Sobrenatural (Insidious) em 2012, os filmes com histórias de casas mal assombradas (ou os Ghost Houses) voltaram a fazer sucesso, graças à fórmulas simples que seguem, que atraem sempre público e crítica e não exigem orçamentos vultuosos. Basicamente são roteiros de fantasmas que se passam em locais pequenos, geralmente casarões antigos, carregados de pequenos sustos, trilha sonora de tensão e, claro, angústias provocadas nos personagens, geralmente famílias com filhos pequenos.
            Nesses casos, o desafio é manter o interesse na narrativa até o final, além do diretor conseguir trabalhar em planos fechados quase o tempo todo. E eles têm conseguido, principalmente James Wan, que dirigiu Sobrenatural e o ótimo Invocação do Mal (que virou um sucesso imediato), além de produzir o atual Annabelle (Annabelle), sobre a apavorante boneca de pano. Em comum, as histórias partem dos casos investigados pelo casal de paranormais Ed e Lorraine Warren, que inclusive participam dos filmes como personagens fictícios. Mas, muitos anos antes, a dupla já teria um caso famoso adaptado: Terror em Amityville (The Amityville Horror)  Clássico de 1979, teve inúmeras continuações ruins e uma refilmagem sem graça. Também fazem parte da nova safra o excelente A Entidade  (Sinister), o melhor de terror de 2013 e o tolo Atividade Paranormal (Paranormal Activity)
Os mais antigos que me lembro são A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill), de 1959, um ótimo exemplar do gênero com Vincent Price e Desafio do Além (The Haunting) , do diretor Robert Wise ( também dirigiu de um dos meus filmes de terror favoritos: O Túmulo Vazio). O início dos anos de 1980 produziram dois clássicos absolutos para os cinéfilos: O indiscutível O Iluminado (The Shinning), obra prima de Stanley Kubrick e o surpreendemente Poltergeist, o Fenômeno (Poltergeist). Outro que sempre está na lista dos melhores é o “terrir” A Morte do Demônio (Evil Dead).Misturando comédia com horror ainda temos os ótimos A Casa do Espanto (House) e Os Fantasmas se Divertem (Bettlejuice), que despertam uma certa nostalgia também dos anos 80 e o bizarro O Segredo da Cabana (The Cabin in The Woods).
Outros bons exemplares cinematográficos para tomar sustos são 1408 (1408), também baseado em livro do escritor Stephen King (assim como O Iluminado e Rose Red, A Casa Adormecida ) e Sessão 9 (Session 9), um obscuro, porém ótimo exercicio de estilo de Brad Anderson. De diretores espanhois temos Os Outros  (The Others), que por sinal, é uma refilmagem de Os Inocentes (The Innocents) e o O Orfanato. O primeiro de Alejandro Amenábar e o segundo, do diretor Juan Antonio Bayona. Bem, com essas dicas é só preparar o espírito, literalmente, para ter bons sustos e depois não esquecer as regras do gênero: Não vá à cozinha de madrugada, não abra armários, e principalmente, não olhe debaixo da cama.

Nenhum comentário: