segunda-feira, 25 de maio de 2015

O uso de narrativas em jogos de videogames





(Texto Originalmente publicado na coluna Diário Cultural do Caderno Você, jornal Diário do Pará, de 25/05/2015)

Eu confesso que faz algum tempo que não jogo videogame a sério. Meu último console era um Playstation 2. De vez em quando, arriscava alguns jogos casualmente no Super Nintendo (que ainda guardo com carinho) ou me divertia com o Mário Kart no Wii do meu filho. Antes disso, fui uma das milhares de crianças que se encantou com o Atari na década de 1980 e com os jogos de plataforma do Snes, onde perdi horas e horas para conseguir “zerar” (chegar ao fim, segundo os gamers) os jogos.
Alguns meses atrás, entrei na “nova geração” dos gamers com o Xbox 360. Tive uma experiência inicial impactante e divertida com a série Gears of War e com Street Fighter 4. Entretanto, há semanas que só tenho olhos para outro jogo: Red Dead Redemption, que foi lançado em 2010. O que me chamou a atenção na “obra” da empresa Rockstar, além do vasto mundo aberto com infinitas possibilidades de exploração, foi sua capacidade de extrapolar o limite dos bites dos consoles e se transformar em uma experiência quase cinematográfica.
Red Dead é um western Spaghetti da melhor qualidade, com todo o charme que os clássicos bangue-bangue americanos e italianos possuíam. A trilha sonora parece ter sido feita por Mario Monicelli e John Marston ficaria perfeito interpretado por Clint Eastwood ou James Coburn. Os personagens são complexos e carismáticos e a trama possui uma sensibilidade narrativa indo da aventura ao suspense e com doses certas de drama. Ou seja, todos os ingredientes dos faroestes de Sergio Leone e Lucio Fulci.
Os jogos de videogames hoje não são apenas passatempos com boas mecânicas, gráficos e jogabilidade e, sim, plataformas para o desenvolvimento de narrativas fascinantes e absurdamente cinematográficas. Além do já citado Gears of War, existe uma infinidade de jogos-filmes espalhados pelos principais consoles, como Last of Us (considerado por muitos aquele com a melhor história), Halo (com milhões de jogadores fiéis), Elder Scrolls Skyrim (com uma exploração gigantesca) e Bioshock Infinite (um suspense montado em um cenário steampunk). Cada movimento ou sequência de botões usados são articulados para nos importamos com o que ocorre na tela. A maioria possui histórias originais, mas têm as adaptações que fazem jus aos originais, como The Walking Dead (jogo dividido em capítulos e temporadas).

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