terça-feira, 16 de junho de 2015

Penso, logo assisto a filmes




(Texto originalmente publicado na coluna Diário Cultural do Diário do Pará, edição de 15/06/15)

Existe muito cinéfilo, por incrível que pareça, que vê os filmes de ficção científica como um tipo de cinema menor, marginal. Talvez o preconceito maior seja por normalmente serem vistos como grandes blockbusters, graças à quantidade de efeitos especiais que demandam e os custos altos de produção.
Até entre os votantes do Oscar existe certo tabu com o gênero, apesar de “Ela” e “Gravidade” terem conquistados os críticos recentemente, com certa razão. Mesmo os clássicos enfrentam resistência, como “Contatos Imediatos do 3º Grau” e “2001 – Uma Odisseia no Espaço.” E “Star Wars” tem detratores na mesma proporção em que existem os fanáticos. Já a minha paixão por ficções tecnológicas existe desde a infância, com o fascínio provocado pela violência de “Mad Max” e a sociedade distópica de “Metrópolis”, película que até fiz uma tatuagem em homenagem.
Eis que, graças ao amigo e também editor do DIÁRIO, Victor Pinto, chega em minhas mãos o livro “Scifi = Scifilo – A Filosofia Explicada pelos Filmes de Ficção Científica” (Ed. Relume, 2005), escrito por Mark Rowlands, um inglês doutor em filosofia e apaixonado pela sétima arte. Mas, não se deixe enganar pelo título de pós-graduação do cara. Não há nenhum sinal de rebuscamento na linguagem da obra. O texto é ágil, bem-humorado e acessível para todos. Rowlands discute os conceitos básicos da Filosofia e seus grandes pensadores, como Platão, Immanuel Kant, Nietzsche e Descartes, relacionando as teorias e debates com sinopses e cenas específicas das produções analisadas.
Aqui, ele discute conceitos relacionados ao sentido da vida, dualismo, hiperrealidade, moral, identidades e a morte em grandes produções, como “Frankenstein”, “Exterminador do Futuro”, “Independence Day”, “Alien”, “Star Wars” e, claro, “Matrix” e “Blade Runner”. São nesses dois últimos a que ele dedica especial atenção, ao questionar filosoficamente as discussões sobre realidade inventada, a relação corpo x mente x espírito e o fim da vida. Para quem já assistiu a todos eles, é ótimo ficar procurando referências e revisitando as propostas dos cineastas. “Matrix” é citado como a obra filosófica por natureza, já que a produção consagra muitas ideias de Descartes. O pensador francês foi o primeiro a imaginar o mundo como um grande simulacro, só que comandado por uma espécie de demônio da dúvida. Os irmãos Wachovski praticamente transformaram a criatura nos robôs que controlam a mente humana e a dúvida se o pensamento torna a existência real ou não. É o tipo de leitura excelente para quem gosta de explorar outras camadas acerca da sétima arte.

CHRISTOPHER LEE
Essa semana morreu o ator Christopher Lee, aos 93 anos. Em se tratando dele, a morte veio no “auge”, já que Lee se mantinha ativo com projetos recentes no cinema e na música. É óbvio que ele sempre será lembrado pelos papéis de vilões, especialmente pelo “Drácula” da Hammer e o mago Saruman da trilogia do “Senhor dos Anéis”. Mas o ator também fez grandes filmes B como ator principal, como o “Expresso do Horror”. Vale a pena revisitar sua obra.

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